sexta-feira, 7 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS 2017

Ramos

Celebramos hoje o DOMINGO DE RAMOS.

A liturgia apresenta dois momentos bem distintos:
- A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM,
  com a procissão de Ramos... num clima de alegria...
  como GESTO de FÉ e de COMPROMISSO.

- O INÍCIO DA SEMANA SANTA, com a Leitura da Paixão do Senhor,
  na missa, relembrando o caminho do sofrimento e da Cruz.
   = Dois momentos distintos da vida de Jesus: Triunfo e Humilhação.
      Jesus se apresenta em Jerusalém propondo a paz e recebe a violência...

As Leituras nos ajudam a viver o clima dos mistérios que celebramos:

A 1ª leitura apresenta um Profeta anônimo, chamado por Deus,
a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação.
Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e
concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. (Is 50,4-7)

* Os primeiros cristãos viram neste "servo sofredor" a figura de Jesus.
Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida
para trazer a  salvação aos homens.

A 2ª Leitura é um lindo Hino Cristológico. (Fl 2,6-11)
Cristo é o princípio e o fim de todas as coisas, exemplo de toda criatura.
Enquanto a desobediência de Adão trouxe fracasso e morte,
a obediência de Cristo ao Pai trouxe exaltação e vida.
Ele se despojou de sua condição divina, assumiu com humildade
a condição humana, para servir, para dar a vida,
para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai.
Esse caminho não levará ao fracasso, mas à glória, à vida plena.
E é esse mesmo caminho de vida, que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho convida a contemplar a PAIXÃO e MORTE de Jesus,
segundo São Mateus. (Mt 26,14-27,66)

O texto nos introduz no clima espiritual da Semana Santa.
Não é apenas o relato dos fatos acontecidos com Jesus,
mas o anúncio de um mundo novo de justiça, de paz e de amor:

- Jesus passou pelos caminhos da Palestina "fazendo o bem" e anunciando
  um mundo novo de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos.
- Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem os pecadores.
- Ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos,
  não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus.
- Ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e
  aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o "Reino";
- E avisou os "ricos" (os poderosos, os instalados), de que o egoísmo,
  o orgulho, a autossuficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.

è Esse projeto libertador de Jesus entrou em choque
     com a atmosfera de egoísmo e de opressão que dominava o mundo.
- As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas
  com a denúncia de Jesus:
  não estavam dispostas a renunciar aos mecanismos
  que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios.
- Não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e
  a aceitar a conversão proposta por Jesus.
- Por isso, prenderam e condenaram Jesus, pregando-o numa cruz.

  A morte de Jesus é a consequência do anúncio do "Reino",
  que provocou tensões e resistências entre os que dominavam o povo.
  A morte de Jesus é o ponto mais alto de sua vida;
  é a afirmação mais radical de tudo aquilo que pregou: o dom total.

Aprofundemos alguns dados que são exclusivos
da PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS:

- Mateus relaciona os fatos da Paixão como Cumprimento das Escrituras:
Mateus escreve para cristãos, provenientes do judaísmo...
por isso, quer demonstrar que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.

- No Getsêmani, Jesus condena a violência contra o servo do sacerdote...
O caminho do Pai passa pelo amor e pelo dom da vida.
Por isso, os discípulos não podem recorrer à violência.  

- Só no Evangelho segundo Mateus aparece o relato da Morte de Judas.
O episódio deixa clara a falsidade do processo e a inocência de Jesus.
Mateus sublinha o desespero e o arrependimento de Judas, e
deixa clara a inocência de Jesus.

- Só Mateus fala do sonho da mulher de Pilatos  e da lavagem das mãos
Quer deixar claro que os pagãos reconhecem a inocência de Jesus e
o próprio povo o rejeita.

- Só Mateus descreve os fatos que acompanharam a morte de Jesus:
"O véu do Templo rasgou-se em duas partes... a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos, que tinham morrido saíram do sepulcro, entraram na cidade e apareceram a muitos".
Para Mateus, são sinais de que Deus está ali como o salvador e libertador
do seu Povo, apesar do aparente fracasso de Jesus,

- Finalmente, só Mateus narra o episódio da "guarda" do sepulcro.
Para os cristãos, o sepulcro vazio era a evidência de que Jesus tinha ressuscitado.

   Os Ramos verdes, que hoje carregamos, recordam
   a saudação de acolhida do Povo a Jesus, ao entrar em Jerusalém.Simbolo de nossa esperança e vitória no martírio da vida.

   Nós também queremos saudar a vida que ele trouxe e
   a misericórdia que encontramos em seu bondoso coração.
Seu dizimo ou sua oferta hoje seja sinal de partilha.


sábado, 1 de abril de 2017

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA - HOMILIA

                     
 Vida nova – liturgia do 5º. Domingo  quaresma

A liturgia desse domingo continua
a Catequese Batismal da Quaresma.

Depois de apresentar:
   - Cristo, ÁGUA para a nossa sede (Samaritana);
   - Cristo, LUZ para as nossas trevas (Cura do cego);
Hoje nos fala de: - Cristo, Ressurreição para a VIDA (Lázaro).

A Liturgia responde à pergunta: "Como chegar a ser cristão?"
Começamos com a recepção do dom de Deus, na água viva da graça,
com uma iluminação e com uma ressurreição à vida verdadeira.

Na 1a leitura, Ezequiel anuncia VIDA NOVA. (Ez 37,12-14)

O Povo, exilado na Babilônia, desesperado e sem futuro,
vivia uma situação de Morte.
O profeta Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e
transmitir a certeza de que Deus não os abandonou.
O texto apresenta a famosa visão dos ossos ressequidos,
que saem dos "túmulos".
O Espírito do Senhor SOPRA sobre eles e eles ganham vida.
Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança,
a escravidão em libertação.
Com essa imagem, o profeta anuncia a libertação aos exilados,
que estavam sem esperança como ossos secos na sepultura.

* Hoje ainda há morte na família, quando os casais não se perdoam...
Há morte quando os jovens se deixam levar pelas drogas e corrupção...
Há morte quando nossas comunidades se digladiam entre si com invejas...

Na 2ª Leitura, Paulo lembra que o Espírito de Deus
ressuscitou Cristo e o introduziu na glória do Pai.
A Ressurreição de Cristo é a garantia e a promessa de nossa Ressurreição.
No Batismo, recebemos o mesmo Espírito, que dá essa vida nova. (Rm 8,8-11)

No Evangelho, Jesus se apresenta como o SENHOR DA VIDA. (Jo 11,1-45)

- O Fato: Mandam dizer: "Lázaro está doente..." (Família sem pais, só irmãos...)
- Jesus: aparentemente não se preocupa... Os apóstolos até estranham...
- Jesus tranqüiliza: "Essa doença é para a glória de Deus...
  Ele está dormindo" e fica com eles mais dois dias...

- No Encontro com Marta, Jesus se comove e chora...
   Não é choro ruidoso, desesperado... mas de afeto e solidariedade...
   O povo até comenta: "Vede como ele o amava".

- O Diálogo: - Jesus afirma: "EU SOU a ressurreição e a Vida.
       Aquele que crer, ainda que estiver morto viverá... "VOCÊ CRÊ nisso?"
    - Marta professa sua fé: "Sim, eu creio", que tu és o Cristo..."
- No Sepulcro... "Tirai a pedra..."
  (que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos...)
- A Oração: "Pai, eu te dou graças, porque me ouvistes..."
- A Ordem: "Lázaro, vem para fora...
                    Desatai-o... e deixai-o andar".
  E Lázaro recupera a Vida.

Duas formas de SOLIDARIEDADE diante da Morte:


- Os amigos e vizinhos vão à casa de Marta e Maria, para dar os pêsames
   e fazer lamentações em altos brados: Símbolo do desespero.
- Jesus nem entra na casa, nesse ambiente dominado pelo desespero.
   Ele fica fora e chama para fora...
   Os dois choram... mas muito diferente...

+ A Família de Betânia representa a Comunidade cristã,

formada por irmãos e irmãs, não tem pais...
Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus
e acolhem Jesus na sua casa e na sua vida.
Essa família faz a experiência da morte.
Mas os amigos de Jesus sabem que Ele é a Ressurreição e a Vida,
e que dá a vida plena aos seus.
A morte é apenas a passagem para a vida plena.

+ Ressurreição de Lázaro é um SINAL: (o 7º e último antes da Paixão)


- A Ressurreição de Lázaro é uma prefiguração da Ressurreição de Cristo.
  O Batismo é um morrer e ressuscitar com Cristo.
- O "Sinal" de Betânia é também um convite a crer na Vida
  e a lutar por ela em todas as expressões.
- O discípulo de Jesus, renascido à Vida no Batismo,
  carrega em si o germe da verdadeira Vida.

+ O Prefácio resume o sentido do fato:

   "Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro;
   Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo;
   hoje estende a toda a humanidade a sua misericórdia e
   com os seus sacramentos nos faz passar da morte à Vida"

A liturgia da Palavra nesta Quaresma é uma retomada
de nossa "iniciação batismal", que certamente precisa ser aprofundada:
- Um ENCONTRO com Cristo,
- um DIÁLOGO
- e uma PROFISSÃO DE FÉ, a exemplo da Samaritana, do Cego e de Marta.


(B. N. Aguas)

sexta-feira, 24 de março de 2017

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA HOMILIA

Quaresma 4Filhos da Luz

A Liturgia de hoje continua
a CATEQUESE BATISMAL da Quaresma.
- Vimos o símbolo da ÁGUA, com o episódio da Samaritana.
- Hoje prossegue o tema da LUZ, com a cura do cego.
- E veremos o tema da VIDA, com a ressurreição de Lázaro...

As Leituras nos lembram a Luz da fé recebida no Batismo
com a vela acesa na mão, e também nos exortam a "viver na Luz".

Na 1ª leitura Davi é UNGIDO para rei de Israel. (1Sm 16,1b.6-7.10-13a)

* A Unção de Davi, eleito pessoalmente por Deus,
é figura profética da Unção Batismal dos cristãos.

Na 2ª Leitura, Paulo salienta a necessidade de viver como filhos da "Luz".
No Batismo, recebemos a Luz de Cristo e fomos convidados
a ser Luz e caminhar sempre no caminho da Luz. (Ef 5,8-14)

No Evangelho, Jesus UNGE um cego com "Barro",
revelando-se como a "Luz do Mundo",
que veio libertar os homens das trevas. (Jo 9,1-41)

João costuma tomar um fato da vida de Jesus como ponto de partida
para desenvolver um tema básico da mensagem cristã.
A cura do cego descreve o processo de fé de um homem,
que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão,
e desta para a Luz da fé em Cristo.
Esse texto é uma Catequese sobre a fé, num contexto batismal.
O "Cego" é símbolo de todos os homens que renascem pela fé,
acolhendo a Jesus (no Batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.

+ Tudo começa com uma PERGUNTA dos discípulos a Jesus:
    - "Por que esse homem nasceu cego?"
        Seria castigo de Deus? Quem pecou?
    - Jesus RESPONDE: "Nem ele, nem seus Pais pecaram..."
      E continua a sua resposta, passando das palavras aos atos.

Na CURA, para dar a "Luz" ao cego, Jesus usa um método estranho:
Com saliva faz "barro" na terra, unge com esse barro os olhos do cego
e manda lavar-se na piscina de Siloé.
A cura não é imediata: requer a cooperação do enfermo.
- A disponibilidade do cego sublinha a sua adesão à proposta de Jesus.
- O banho na piscina do "enviado" é uma alusão à "Água de Jesus".
- Lembra também a água do BATISMO para quem quiser sair das trevas
  para viver na luz, como Filhos de Deus...

Depois, o Evangelho coloca em cena vários PERSONAGENS:


- Os VIZINHOS percebem o dom da vida que vem de Jesus,
mas não dão o passo definitivo para ter acesso à Luz.
Representam os que percebem a proposta libertadora de Jesus,
mas não estão dispostos a sair da sua vidinha, para ir ao encontro da "Luz".

- Os FARISEUS conhecem a "luz", mas se recusam em aceitá-la.
Acusam-no de transgredir a lei do sábado e expulsam o cego da sinagoga.
Representam aqueles que conhecem a novidade de Jesus,
mas não estão dispostos a acolhê-lo e até hostilizam os seus seguidores.

- Os PAIS constatam o fato, mas evitam comprometer-se...
É a atitude de MEDO dos que não tem coragem de passar das trevas para a Luz.
Preferem a segurança da ordem estabelecida, do que correr riscos...

- O CEGO é questionado pelas AUTORIDADES sobre a origem de Jesus.
E ele, como "pessoa iluminada", mostra-se: Livre (diz o que pensa...);
corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade);
suporta a violência (é expulso da sinagoga).

- JESUS reaparece no fim: vai ao seu encontro, inicia um DIÁLOGO,
que culmina com um belo ato de fé do cego: "Eu creio, Senhor".

+ A Transformação do cego é progressiva:
 - Antes de se encontrar com Jesus, é um homem prisioneiro das "trevas",
   dependente e limitado. "Não sabe quem o curou"...
- Depois, a "luz" vai brilhando aos poucos na sua vida.
  Forçado pelos dirigentes a renegar a "luz" e a liberdade recebida,
  recusa-se a regressar à escravidão...
- Finalmente, encontrando-se com Jesus,
  que lhe pergunta: "Acreditas no Filho do Homem",
   manifesta sua adesão total: "Creio, Senhor". Prostra-se e o adora. 

* O Caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão:
O Encontro com Jesus ... a Adesão à "Luz" e
um progressivo amadurecimento no Conhecimento de Cristo.
Esse caminho desemboca na adesão total a Jesus,
ao ser lavado pelas águas batismais.

+ O Prefácio sintetiza:
"Jesus conduziu à Luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas.
E elevou à dignidade de filhos os escravos do pecado,
fazendo-os renascer das águas do Batismo".

Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal,
renovando o nosso Batismo, mediante o Sacramento da Penitência.
No Batismo, os nossos olhos se abriram a Cristo, se dissiparam as trevas
e fomos ungidos pelo Espírito para servir a Deus e aos irmãos.

Quanto mais buscamos Jesus como "Luz", mais nossa vida terá sentido.

Como o cego, renovemos a nossa fé, cantando: Deixa a luz do céu entrar! (BN AGUAS)


                                        

sexta-feira, 17 de março de 2017

LITURGIA DO TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA 2017 - SAMARITANA


O ENCONTRO DE JESUS COM A SAMARITANA

A Quaresma, na Igreja primitiva, além de ser
um tempo de penitência e de conversão,
era um tempo de preparação para os batizados,
que aconteciam no sábado santo, na Vigília Pascal.

Por isso, nesses três domingos, que antecedem a semana santa,
aparece o tema batismal com os símbolos:
- da Água, no diálogo com a Samaritana, (A Vida)
- da Luz, na cura do cego (A Fé)
- da Vida, na ressurreição de Lázaro (Vida nova com Cristo ressuscitado)
Hoje nos apresenta o símbolo mais importante, a ÁGUA,
que exprime o milagre renovado da VIDA.

Na 1a Leitura, o povo pede ÁGUA (Ex 17,3-7)

No deserto, o povo reclama revoltado contra Moisés,
pedindo água, para manter-se vivo: "Dá-nos água para beber..."
E Deus intervém, fazendo brotar milagrosamente água da rocha de Horeb.

* Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo,
   que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo

Na 2ª Leitura, Paulo resume a fé da Igreja no dom da água viva
presente na vida de cada discípulo de Cristo.
Todos podemos saciar a nossa sede em Deus. (Rm 5,1-2.5-8)

No Evangelho, Jesus pede e oferece ÁGUA à Samaritana. (Jo 4,5-42)

- Jesus cansado... sedento... senta-se ao lado do poço de Jacó...
  Os discípulos buscam alimento na cidade...
  Uma mulher anônima... balde vazio... coração vazio... busca água...
- JESUS quebra preconceitos de raça, de sexo, de religião...
   e toma a iniciativa: "Dá-me de beber".
- A Mulher estranha... (os apóstolos também): falar com samaritana e mulher...
- Do diálogo nasce a mútua compreensão.
  A mulher descobre em si mesma uma sede mais profunda de amor,  
  pois apesar dos 5 maridos que já tivera, vivia um grande vazio...
  E Jesus se revela como água viva, capaz de saciar qualquer sede humana...
- Inicialmente ela fica confusa... no final ela pede "dessa água".
  Reconhece Jesus como "Salvador do Mundo",
  o Templo onde Deus "deve ser adorado em espírito e verdade".
  Abandona o "Velho balde" e corre para a cidade,
  para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.

+ O Caminho da Samaritana:
   Esse Diálogo mostra a grande pedagogia de Jesus, que se revela aos poucos,  
   até chegar à manifestação plena ("o Messias sou eu").
   - No começo, a mulher só pensa na água material (seus desejos, os maridos...)
   - Aos poucos começa a compreender e aceitar a proposta de Jesus:
      Inicialmente, ela vê nele apenas um judeu viajante;
      depois, o chama de "Senhor"; em seguida, reconhece que é um Profeta;
      No final, descobre nele o Messias esperado pelo povo.
   - Abandona então o balde que dá acesso às suas propostas limitadas
     de felicidade, e corre até a cidade para anunciar a sua descoberta.

     Essa mulher desprezada, após escutá-lo como DISCÍPULA,
     torna-se MISSIONÁRIA de Cristo, antes mesmo dos apóstolos...

+ A água do poço é símbolo de todas as satisfações humanas,
   na esperança de encontrar nelas a nossa felicidade,
   mas que no fim deixam sempre muito vazio e muitas desilusões...
= Essa água não satisfaz plenamente, todos os dias precisamos voltar ao poço...

+ A água de Jesus é o espírito de Deus, o amor que enche os corações. 
   Só Cristo mata definitivamente a sede de vida e felicidade do homem.
   Essa água nos faz pensar também no BATISMO,
   que foi o nosso primeiro encontro com Jesus.

+ O Prefácio resume em poucas palavras o episódio:
   Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus lhe dava o dom de crer.
   E, saciada sua sede de fé, lhe acrescentou o fogo do amor".

+ O nosso caminho...

- No passado, o POÇO sempre foi um lugar de ENCONTRO.
- Os homens continuam ainda hoje procurando um Poço,
   para saciar sua sede profunda de vida.
   Buscam cada vez mais "coisas" para saciá-la e nada os satisfaz.
 - Cristo continua vindo ao nosso encontro. Senta perto do nosso poço
   e nos convida a revisar a fundo a nossa vida e o sentido de nossa fé cristã
   para sermos autênticos adoradores do Pai em espírito e verdade.

- Antes de nos encontrar com Cristo, também nós estávamos
  preocupados com nossos problemas, desejos, ambições,
  e o nosso coração estava sempre repleto de tristeza e insatisfação. 
  Precisávamos todos os dias voltar ao poço e encher o nosso balde...

- Um belo dia, o encontro com Cristo aconteceu...
  A conversa com esse "Jesus" despertou em nós uma curiosidade,
  que nos levou a conhecer melhor a pessoa de Cristo e sua mensagem.

- No final da caminhada, encontramos essa água viva, prometida por Jesus.
  Abandonamos então o "velho Balde" e sentimos a necessidade de correr
  para anunciar a todos, como Missionários,
  a nossa descoberta e a nossa felicidade... 

Façamos nosso o pedido da Samaritana:

"Senhor, dá-nos sempre dessa água!"(FONTE B. N. AGUAS)

sábado, 11 de março de 2017

HOMILIA DO DOMINGO DA TRANSFIGURAÇÃO

  Do Tabor ao Calvário

A Vida cristã pode ser comparada a uma caminhada
que deve ser percorrida na escuta atenta de Deus,
na observância total aos seus planos.
A Quaresma é um momento forte para rever essa caminhada.

As Leituras bíblicas de hoje nos ajudam...

Na 1a Leitura, vemos a caminhada de Abraão: (Gen 12,1-4)

- Deus chama Abraão, convida-o a deixar a terra e a família e
  a partir ao encontro de uma outra terra,
  para ser um sinal de Deus no meio dos homens.
- Deus lhe oferece a sua bênção e a promessa de uma família numerosa,
  que será testemunha da Salvação de Deus diante de todos os povos.
- Diante do desafio de Deus, Abraão pôs-se a caminho.
  Abraão percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.

* Abraão é uma figura típica da História da Salvação:
   Confiante na Palavra de Deus, torna-se o modelo de uma fé obediente
   e em marcha à luz plena, embora através da cruz e da provação.
   Também nós somos peregrinos em busca de uma Terra Prometida.

Na 2ª leitura, Paulo exorta Timóteo a superar a sua timidez e
não desanimar diante das dificuldades ao longo da caminhada. (2Tm 1,8b-10)

* A resposta agradecida ao chamado de Deus requer de nós fé, confiança
e fidelidade a toda prova no deserto da vida, como nômades de Deus
a exemplo de Abraão e a exemplo de Cristo, nosso Mestre de vida.

No Evangelho, vemos a Caminhada de Jesus:  (Mt 17,1-9)

A caminho de Jerusalém, Jesus faz o primeiro anúncio da Paixão.
O caminho da salvação esperado pelos discípulos é bem diferente.
Por isso, ficam profundamente desanimados e frustrados.
A aventura parece encaminhar-se para um grande fracasso.
- Para fortalecer o ânimo profundamente abalado dos discípulos,
Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João,
e revela-lhes no Monte Tabor a glória da divindade.
Após um momento de medo, eles reencontram a paz e a alegria.

Com a TRANSFIGURAÇÃO, Mateus quer duas coisas:
- Revelar: QUEM É JESUS: É "o Filho amado do Pai" e
- Convidar: "Escutem o que ele diz".

* Pela Transfiguração, Deus demonstra que uma existência feita dom
não é fracassada, mesmo quando termina na cruz.
A Celebração da Transfiguração de Jesus nos faz
Testemunhas vivas da meta que nos aguarda.


- Por que Moisés e Elias?
  Eles representavam para os israelitas todo o Antigo Testamento.
  Jesus é a explicação e a realização de toda a Lei e os Profetas.
  No Monte Sinai, falavam com Deus, aqui estão falando com Jesus...
- Israel era o filho predileto de Javé.
  Jesus é o Filho predileto do Pai, que os discípulos devem ouvir.

  Por isso: "os três levantaram os olhos e viram Jesus."
  Moisés e Elias desapareceram, já cumpriram a sua missão:
  apresentar ao mundo o Messias, o novo Profeta, o novo Legislador.

O Prefácio resume o sentido do evangelho de hoje:
"Cristo, depois de anunciar a morte a seus discípulos,
mostrou-lhes no Monte santo o esplendor de sua glória
para testemunhar, de acordo com a Lei e os Profetas,
que a Paixão é o caminho da Ressurreição."

A Nossa caminhada para Deus:
Também nós somos chamados por Deus a uma caminhada,
que é íngreme e difícil, como a escalada de uma alta montanha.
No final dessa viagem, que começa com o BATISMO,
seremos envolvidos pela mesma "nuvem luminosa",
que envolveu o Mestre e brilharemos como o sol no Reino do Pai.
Como os apóstolos, também seremos tentados a desanimar.
Mas Jesus nos dá força para enfrentar e olhar além.
Ao transfigurar-se aos apóstolos na glória da Trindade,
quis manter viva neles a chama da esperança.
Com a sua morte, o sonho não tinha acabado.
Por isso, eles e nós não devemos desanimar, por causa da cruz.

+ "Descer o Monte"
Na Transfiguração, Jesus nos revela também o valor da Vida,
as belezas criadas por Deus na Natureza que devemos cultivar e guardar.
Em Jesus aparece a beleza do ser humano
e de toda natureza que o envolve.

Diante das ameaças e agressões à Vida, Jesus nos tranqüiliza:
"Levantai-vos. Não tenhais medo!".
Convida-nos a "descer o Monte" e retomar
a dolorosa caminhada em defesa da Vida.

Pela Transfiguração, Jesus mostra que essa realidade hostil,
em que vivemos, pode e deve ser mudada, transfigurada...
O caminho é escutar o Filho amado e segui-lo com fidelidade...

Que a Caminhada Quaresmal nos ajude a descobrir esse Cristo glorioso,
a escutar e acolher a sua voz

para que a Páscoa aconteça dentro de cada um de nós. (B N AGUAS)