sexta-feira, 7 de abril de 2017

DOMINGO DE RAMOS 2017

Ramos

Celebramos hoje o DOMINGO DE RAMOS.

A liturgia apresenta dois momentos bem distintos:
- A ENTRADA DE JESUS EM JERUSALÉM,
  com a procissão de Ramos... num clima de alegria...
  como GESTO de FÉ e de COMPROMISSO.

- O INÍCIO DA SEMANA SANTA, com a Leitura da Paixão do Senhor,
  na missa, relembrando o caminho do sofrimento e da Cruz.
   = Dois momentos distintos da vida de Jesus: Triunfo e Humilhação.
      Jesus se apresenta em Jerusalém propondo a paz e recebe a violência...

As Leituras nos ajudam a viver o clima dos mistérios que celebramos:

A 1ª leitura apresenta um Profeta anônimo, chamado por Deus,
a testemunhar no meio das nações a Palavra da salvação.
Apesar do sofrimento e da perseguição, o profeta confiou em Deus e
concretizou, com teimosa fidelidade, os projetos de Deus. (Is 50,4-7)

* Os primeiros cristãos viram neste "servo sofredor" a figura de Jesus.
Ele é a Palavra de Deus feita carne, que oferece a sua vida
para trazer a  salvação aos homens.

A 2ª Leitura é um lindo Hino Cristológico. (Fl 2,6-11)
Cristo é o princípio e o fim de todas as coisas, exemplo de toda criatura.
Enquanto a desobediência de Adão trouxe fracasso e morte,
a obediência de Cristo ao Pai trouxe exaltação e vida.
Ele se despojou de sua condição divina, assumiu com humildade
a condição humana, para servir, para dar a vida,
para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai.
Esse caminho não levará ao fracasso, mas à glória, à vida plena.
E é esse mesmo caminho de vida, que a Palavra de Deus nos propõe.

O Evangelho convida a contemplar a PAIXÃO e MORTE de Jesus,
segundo São Mateus. (Mt 26,14-27,66)

O texto nos introduz no clima espiritual da Semana Santa.
Não é apenas o relato dos fatos acontecidos com Jesus,
mas o anúncio de um mundo novo de justiça, de paz e de amor:

- Jesus passou pelos caminhos da Palestina "fazendo o bem" e anunciando
  um mundo novo de vida, de liberdade, de paz e de amor para todos.
- Ensinou que Deus era amor e que não excluía ninguém, nem os pecadores.
- Ensinou que os leprosos, os paralíticos, os cegos,
  não deviam ser marginalizados, pois não eram amaldiçoados por Deus.
- Ensinou que eram os pobres e os excluídos os preferidos de Deus e
  aqueles que tinham um coração mais disponível para acolher o "Reino";
- E avisou os "ricos" (os poderosos, os instalados), de que o egoísmo,
  o orgulho, a autossuficiência, o fechamento só podiam conduzir à morte.

è Esse projeto libertador de Jesus entrou em choque
     com a atmosfera de egoísmo e de opressão que dominava o mundo.
- As autoridades políticas e religiosas sentiram-se incomodadas
  com a denúncia de Jesus:
  não estavam dispostas a renunciar aos mecanismos
  que lhes asseguravam poder, influência, domínio, privilégios.
- Não estavam dispostas a arriscar, a desinstalar-se e
  a aceitar a conversão proposta por Jesus.
- Por isso, prenderam e condenaram Jesus, pregando-o numa cruz.

  A morte de Jesus é a consequência do anúncio do "Reino",
  que provocou tensões e resistências entre os que dominavam o povo.
  A morte de Jesus é o ponto mais alto de sua vida;
  é a afirmação mais radical de tudo aquilo que pregou: o dom total.

Aprofundemos alguns dados que são exclusivos
da PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS:

- Mateus relaciona os fatos da Paixão como Cumprimento das Escrituras:
Mateus escreve para cristãos, provenientes do judaísmo...
por isso, quer demonstrar que Jesus é o Messias anunciado pelos profetas.

- No Getsêmani, Jesus condena a violência contra o servo do sacerdote...
O caminho do Pai passa pelo amor e pelo dom da vida.
Por isso, os discípulos não podem recorrer à violência.  

- Só no Evangelho segundo Mateus aparece o relato da Morte de Judas.
O episódio deixa clara a falsidade do processo e a inocência de Jesus.
Mateus sublinha o desespero e o arrependimento de Judas, e
deixa clara a inocência de Jesus.

- Só Mateus fala do sonho da mulher de Pilatos  e da lavagem das mãos
Quer deixar claro que os pagãos reconhecem a inocência de Jesus e
o próprio povo o rejeita.

- Só Mateus descreve os fatos que acompanharam a morte de Jesus:
"O véu do Templo rasgou-se em duas partes... a terra tremeu e as rochas fenderam-se. Abriram-se os túmulos e muitos dos corpos, que tinham morrido saíram do sepulcro, entraram na cidade e apareceram a muitos".
Para Mateus, são sinais de que Deus está ali como o salvador e libertador
do seu Povo, apesar do aparente fracasso de Jesus,

- Finalmente, só Mateus narra o episódio da "guarda" do sepulcro.
Para os cristãos, o sepulcro vazio era a evidência de que Jesus tinha ressuscitado.

   Os Ramos verdes, que hoje carregamos, recordam
   a saudação de acolhida do Povo a Jesus, ao entrar em Jerusalém.Simbolo de nossa esperança e vitória no martírio da vida.

   Nós também queremos saudar a vida que ele trouxe e
   a misericórdia que encontramos em seu bondoso coração.
Seu dizimo ou sua oferta hoje seja sinal de partilha.


sábado, 1 de abril de 2017

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA - HOMILIA

                     
 Vida nova – liturgia do 5º. Domingo  quaresma

A liturgia desse domingo continua
a Catequese Batismal da Quaresma.

Depois de apresentar:
   - Cristo, ÁGUA para a nossa sede (Samaritana);
   - Cristo, LUZ para as nossas trevas (Cura do cego);
Hoje nos fala de: - Cristo, Ressurreição para a VIDA (Lázaro).

A Liturgia responde à pergunta: "Como chegar a ser cristão?"
Começamos com a recepção do dom de Deus, na água viva da graça,
com uma iluminação e com uma ressurreição à vida verdadeira.

Na 1a leitura, Ezequiel anuncia VIDA NOVA. (Ez 37,12-14)

O Povo, exilado na Babilônia, desesperado e sem futuro,
vivia uma situação de Morte.
O profeta Ezequiel procurou alimentar a esperança dos exilados e
transmitir a certeza de que Deus não os abandonou.
O texto apresenta a famosa visão dos ossos ressequidos,
que saem dos "túmulos".
O Espírito do Senhor SOPRA sobre eles e eles ganham vida.
Deus vai transformar a morte em vida, o desespero em esperança,
a escravidão em libertação.
Com essa imagem, o profeta anuncia a libertação aos exilados,
que estavam sem esperança como ossos secos na sepultura.

* Hoje ainda há morte na família, quando os casais não se perdoam...
Há morte quando os jovens se deixam levar pelas drogas e corrupção...
Há morte quando nossas comunidades se digladiam entre si com invejas...

Na 2ª Leitura, Paulo lembra que o Espírito de Deus
ressuscitou Cristo e o introduziu na glória do Pai.
A Ressurreição de Cristo é a garantia e a promessa de nossa Ressurreição.
No Batismo, recebemos o mesmo Espírito, que dá essa vida nova. (Rm 8,8-11)

No Evangelho, Jesus se apresenta como o SENHOR DA VIDA. (Jo 11,1-45)

- O Fato: Mandam dizer: "Lázaro está doente..." (Família sem pais, só irmãos...)
- Jesus: aparentemente não se preocupa... Os apóstolos até estranham...
- Jesus tranqüiliza: "Essa doença é para a glória de Deus...
  Ele está dormindo" e fica com eles mais dois dias...

- No Encontro com Marta, Jesus se comove e chora...
   Não é choro ruidoso, desesperado... mas de afeto e solidariedade...
   O povo até comenta: "Vede como ele o amava".

- O Diálogo: - Jesus afirma: "EU SOU a ressurreição e a Vida.
       Aquele que crer, ainda que estiver morto viverá... "VOCÊ CRÊ nisso?"
    - Marta professa sua fé: "Sim, eu creio", que tu és o Cristo..."
- No Sepulcro... "Tirai a pedra..."
  (que separa o mundo dos vivos do mundo dos mortos...)
- A Oração: "Pai, eu te dou graças, porque me ouvistes..."
- A Ordem: "Lázaro, vem para fora...
                    Desatai-o... e deixai-o andar".
  E Lázaro recupera a Vida.

Duas formas de SOLIDARIEDADE diante da Morte:


- Os amigos e vizinhos vão à casa de Marta e Maria, para dar os pêsames
   e fazer lamentações em altos brados: Símbolo do desespero.
- Jesus nem entra na casa, nesse ambiente dominado pelo desespero.
   Ele fica fora e chama para fora...
   Os dois choram... mas muito diferente...

+ A Família de Betânia representa a Comunidade cristã,

formada por irmãos e irmãs, não tem pais...
Todos conhecem Jesus, são amigos de Jesus
e acolhem Jesus na sua casa e na sua vida.
Essa família faz a experiência da morte.
Mas os amigos de Jesus sabem que Ele é a Ressurreição e a Vida,
e que dá a vida plena aos seus.
A morte é apenas a passagem para a vida plena.

+ Ressurreição de Lázaro é um SINAL: (o 7º e último antes da Paixão)


- A Ressurreição de Lázaro é uma prefiguração da Ressurreição de Cristo.
  O Batismo é um morrer e ressuscitar com Cristo.
- O "Sinal" de Betânia é também um convite a crer na Vida
  e a lutar por ela em todas as expressões.
- O discípulo de Jesus, renascido à Vida no Batismo,
  carrega em si o germe da verdadeira Vida.

+ O Prefácio resume o sentido do fato:

   "Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro;
   Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo;
   hoje estende a toda a humanidade a sua misericórdia e
   com os seus sacramentos nos faz passar da morte à Vida"

A liturgia da Palavra nesta Quaresma é uma retomada
de nossa "iniciação batismal", que certamente precisa ser aprofundada:
- Um ENCONTRO com Cristo,
- um DIÁLOGO
- e uma PROFISSÃO DE FÉ, a exemplo da Samaritana, do Cego e de Marta.


(B. N. Aguas)

sexta-feira, 24 de março de 2017

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA HOMILIA

Quaresma 4Filhos da Luz

A Liturgia de hoje continua
a CATEQUESE BATISMAL da Quaresma.
- Vimos o símbolo da ÁGUA, com o episódio da Samaritana.
- Hoje prossegue o tema da LUZ, com a cura do cego.
- E veremos o tema da VIDA, com a ressurreição de Lázaro...

As Leituras nos lembram a Luz da fé recebida no Batismo
com a vela acesa na mão, e também nos exortam a "viver na Luz".

Na 1ª leitura Davi é UNGIDO para rei de Israel. (1Sm 16,1b.6-7.10-13a)

* A Unção de Davi, eleito pessoalmente por Deus,
é figura profética da Unção Batismal dos cristãos.

Na 2ª Leitura, Paulo salienta a necessidade de viver como filhos da "Luz".
No Batismo, recebemos a Luz de Cristo e fomos convidados
a ser Luz e caminhar sempre no caminho da Luz. (Ef 5,8-14)

No Evangelho, Jesus UNGE um cego com "Barro",
revelando-se como a "Luz do Mundo",
que veio libertar os homens das trevas. (Jo 9,1-41)

João costuma tomar um fato da vida de Jesus como ponto de partida
para desenvolver um tema básico da mensagem cristã.
A cura do cego descreve o processo de fé de um homem,
que vai passando das trevas da cegueira, para a luz da visão,
e desta para a Luz da fé em Cristo.
Esse texto é uma Catequese sobre a fé, num contexto batismal.
O "Cego" é símbolo de todos os homens que renascem pela fé,
acolhendo a Jesus (no Batismo) e deixando-se conduzir pela sua palavra.

+ Tudo começa com uma PERGUNTA dos discípulos a Jesus:
    - "Por que esse homem nasceu cego?"
        Seria castigo de Deus? Quem pecou?
    - Jesus RESPONDE: "Nem ele, nem seus Pais pecaram..."
      E continua a sua resposta, passando das palavras aos atos.

Na CURA, para dar a "Luz" ao cego, Jesus usa um método estranho:
Com saliva faz "barro" na terra, unge com esse barro os olhos do cego
e manda lavar-se na piscina de Siloé.
A cura não é imediata: requer a cooperação do enfermo.
- A disponibilidade do cego sublinha a sua adesão à proposta de Jesus.
- O banho na piscina do "enviado" é uma alusão à "Água de Jesus".
- Lembra também a água do BATISMO para quem quiser sair das trevas
  para viver na luz, como Filhos de Deus...

Depois, o Evangelho coloca em cena vários PERSONAGENS:


- Os VIZINHOS percebem o dom da vida que vem de Jesus,
mas não dão o passo definitivo para ter acesso à Luz.
Representam os que percebem a proposta libertadora de Jesus,
mas não estão dispostos a sair da sua vidinha, para ir ao encontro da "Luz".

- Os FARISEUS conhecem a "luz", mas se recusam em aceitá-la.
Acusam-no de transgredir a lei do sábado e expulsam o cego da sinagoga.
Representam aqueles que conhecem a novidade de Jesus,
mas não estão dispostos a acolhê-lo e até hostilizam os seus seguidores.

- Os PAIS constatam o fato, mas evitam comprometer-se...
É a atitude de MEDO dos que não tem coragem de passar das trevas para a Luz.
Preferem a segurança da ordem estabelecida, do que correr riscos...

- O CEGO é questionado pelas AUTORIDADES sobre a origem de Jesus.
E ele, como "pessoa iluminada", mostra-se: Livre (diz o que pensa...);
corajoso (não se intimida); sincero (não renuncia à verdade);
suporta a violência (é expulso da sinagoga).

- JESUS reaparece no fim: vai ao seu encontro, inicia um DIÁLOGO,
que culmina com um belo ato de fé do cego: "Eu creio, Senhor".

+ A Transformação do cego é progressiva:
 - Antes de se encontrar com Jesus, é um homem prisioneiro das "trevas",
   dependente e limitado. "Não sabe quem o curou"...
- Depois, a "luz" vai brilhando aos poucos na sua vida.
  Forçado pelos dirigentes a renegar a "luz" e a liberdade recebida,
  recusa-se a regressar à escravidão...
- Finalmente, encontrando-se com Jesus,
  que lhe pergunta: "Acreditas no Filho do Homem",
   manifesta sua adesão total: "Creio, Senhor". Prostra-se e o adora. 

* O Caminho de fé do cego é um itinerário para todo cristão:
O Encontro com Jesus ... a Adesão à "Luz" e
um progressivo amadurecimento no Conhecimento de Cristo.
Esse caminho desemboca na adesão total a Jesus,
ao ser lavado pelas águas batismais.

+ O Prefácio sintetiza:
"Jesus conduziu à Luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas.
E elevou à dignidade de filhos os escravos do pecado,
fazendo-os renascer das águas do Batismo".

Nesta Quaresma, somos convidados a viver a experiência catecumenal,
renovando o nosso Batismo, mediante o Sacramento da Penitência.
No Batismo, os nossos olhos se abriram a Cristo, se dissiparam as trevas
e fomos ungidos pelo Espírito para servir a Deus e aos irmãos.

Quanto mais buscamos Jesus como "Luz", mais nossa vida terá sentido.

Como o cego, renovemos a nossa fé, cantando: Deixa a luz do céu entrar! (BN AGUAS)


                                        

sexta-feira, 17 de março de 2017

LITURGIA DO TERCEIRO DOMINGO DA QUARESMA 2017 - SAMARITANA


O ENCONTRO DE JESUS COM A SAMARITANA

A Quaresma, na Igreja primitiva, além de ser
um tempo de penitência e de conversão,
era um tempo de preparação para os batizados,
que aconteciam no sábado santo, na Vigília Pascal.

Por isso, nesses três domingos, que antecedem a semana santa,
aparece o tema batismal com os símbolos:
- da Água, no diálogo com a Samaritana, (A Vida)
- da Luz, na cura do cego (A Fé)
- da Vida, na ressurreição de Lázaro (Vida nova com Cristo ressuscitado)
Hoje nos apresenta o símbolo mais importante, a ÁGUA,
que exprime o milagre renovado da VIDA.

Na 1a Leitura, o povo pede ÁGUA (Ex 17,3-7)

No deserto, o povo reclama revoltado contra Moisés,
pedindo água, para manter-se vivo: "Dá-nos água para beber..."
E Deus intervém, fazendo brotar milagrosamente água da rocha de Horeb.

* Moisés dá de beber a seu povo. É imagem de Cristo,
   que no futuro dará a água da vida, que é o Espírito Santo

Na 2ª Leitura, Paulo resume a fé da Igreja no dom da água viva
presente na vida de cada discípulo de Cristo.
Todos podemos saciar a nossa sede em Deus. (Rm 5,1-2.5-8)

No Evangelho, Jesus pede e oferece ÁGUA à Samaritana. (Jo 4,5-42)

- Jesus cansado... sedento... senta-se ao lado do poço de Jacó...
  Os discípulos buscam alimento na cidade...
  Uma mulher anônima... balde vazio... coração vazio... busca água...
- JESUS quebra preconceitos de raça, de sexo, de religião...
   e toma a iniciativa: "Dá-me de beber".
- A Mulher estranha... (os apóstolos também): falar com samaritana e mulher...
- Do diálogo nasce a mútua compreensão.
  A mulher descobre em si mesma uma sede mais profunda de amor,  
  pois apesar dos 5 maridos que já tivera, vivia um grande vazio...
  E Jesus se revela como água viva, capaz de saciar qualquer sede humana...
- Inicialmente ela fica confusa... no final ela pede "dessa água".
  Reconhece Jesus como "Salvador do Mundo",
  o Templo onde Deus "deve ser adorado em espírito e verdade".
  Abandona o "Velho balde" e corre para a cidade,
  para anunciar ao povo a verdade que tinha encontrado.

+ O Caminho da Samaritana:
   Esse Diálogo mostra a grande pedagogia de Jesus, que se revela aos poucos,  
   até chegar à manifestação plena ("o Messias sou eu").
   - No começo, a mulher só pensa na água material (seus desejos, os maridos...)
   - Aos poucos começa a compreender e aceitar a proposta de Jesus:
      Inicialmente, ela vê nele apenas um judeu viajante;
      depois, o chama de "Senhor"; em seguida, reconhece que é um Profeta;
      No final, descobre nele o Messias esperado pelo povo.
   - Abandona então o balde que dá acesso às suas propostas limitadas
     de felicidade, e corre até a cidade para anunciar a sua descoberta.

     Essa mulher desprezada, após escutá-lo como DISCÍPULA,
     torna-se MISSIONÁRIA de Cristo, antes mesmo dos apóstolos...

+ A água do poço é símbolo de todas as satisfações humanas,
   na esperança de encontrar nelas a nossa felicidade,
   mas que no fim deixam sempre muito vazio e muitas desilusões...
= Essa água não satisfaz plenamente, todos os dias precisamos voltar ao poço...

+ A água de Jesus é o espírito de Deus, o amor que enche os corações. 
   Só Cristo mata definitivamente a sede de vida e felicidade do homem.
   Essa água nos faz pensar também no BATISMO,
   que foi o nosso primeiro encontro com Jesus.

+ O Prefácio resume em poucas palavras o episódio:
   Ao pedir à Samaritana que lhe desse de beber, Jesus lhe dava o dom de crer.
   E, saciada sua sede de fé, lhe acrescentou o fogo do amor".

+ O nosso caminho...

- No passado, o POÇO sempre foi um lugar de ENCONTRO.
- Os homens continuam ainda hoje procurando um Poço,
   para saciar sua sede profunda de vida.
   Buscam cada vez mais "coisas" para saciá-la e nada os satisfaz.
 - Cristo continua vindo ao nosso encontro. Senta perto do nosso poço
   e nos convida a revisar a fundo a nossa vida e o sentido de nossa fé cristã
   para sermos autênticos adoradores do Pai em espírito e verdade.

- Antes de nos encontrar com Cristo, também nós estávamos
  preocupados com nossos problemas, desejos, ambições,
  e o nosso coração estava sempre repleto de tristeza e insatisfação. 
  Precisávamos todos os dias voltar ao poço e encher o nosso balde...

- Um belo dia, o encontro com Cristo aconteceu...
  A conversa com esse "Jesus" despertou em nós uma curiosidade,
  que nos levou a conhecer melhor a pessoa de Cristo e sua mensagem.

- No final da caminhada, encontramos essa água viva, prometida por Jesus.
  Abandonamos então o "velho Balde" e sentimos a necessidade de correr
  para anunciar a todos, como Missionários,
  a nossa descoberta e a nossa felicidade... 

Façamos nosso o pedido da Samaritana:

"Senhor, dá-nos sempre dessa água!"(FONTE B. N. AGUAS)

sábado, 11 de março de 2017

HOMILIA DO DOMINGO DA TRANSFIGURAÇÃO

  Do Tabor ao Calvário

A Vida cristã pode ser comparada a uma caminhada
que deve ser percorrida na escuta atenta de Deus,
na observância total aos seus planos.
A Quaresma é um momento forte para rever essa caminhada.

As Leituras bíblicas de hoje nos ajudam...

Na 1a Leitura, vemos a caminhada de Abraão: (Gen 12,1-4)

- Deus chama Abraão, convida-o a deixar a terra e a família e
  a partir ao encontro de uma outra terra,
  para ser um sinal de Deus no meio dos homens.
- Deus lhe oferece a sua bênção e a promessa de uma família numerosa,
  que será testemunha da Salvação de Deus diante de todos os povos.
- Diante do desafio de Deus, Abraão pôs-se a caminho.
  Abraão percebe o projeto de Deus e o segue de todo o coração.

* Abraão é uma figura típica da História da Salvação:
   Confiante na Palavra de Deus, torna-se o modelo de uma fé obediente
   e em marcha à luz plena, embora através da cruz e da provação.
   Também nós somos peregrinos em busca de uma Terra Prometida.

Na 2ª leitura, Paulo exorta Timóteo a superar a sua timidez e
não desanimar diante das dificuldades ao longo da caminhada. (2Tm 1,8b-10)

* A resposta agradecida ao chamado de Deus requer de nós fé, confiança
e fidelidade a toda prova no deserto da vida, como nômades de Deus
a exemplo de Abraão e a exemplo de Cristo, nosso Mestre de vida.

No Evangelho, vemos a Caminhada de Jesus:  (Mt 17,1-9)

A caminho de Jerusalém, Jesus faz o primeiro anúncio da Paixão.
O caminho da salvação esperado pelos discípulos é bem diferente.
Por isso, ficam profundamente desanimados e frustrados.
A aventura parece encaminhar-se para um grande fracasso.
- Para fortalecer o ânimo profundamente abalado dos discípulos,
Jesus toma consigo Pedro, Tiago e João,
e revela-lhes no Monte Tabor a glória da divindade.
Após um momento de medo, eles reencontram a paz e a alegria.

Com a TRANSFIGURAÇÃO, Mateus quer duas coisas:
- Revelar: QUEM É JESUS: É "o Filho amado do Pai" e
- Convidar: "Escutem o que ele diz".

* Pela Transfiguração, Deus demonstra que uma existência feita dom
não é fracassada, mesmo quando termina na cruz.
A Celebração da Transfiguração de Jesus nos faz
Testemunhas vivas da meta que nos aguarda.


- Por que Moisés e Elias?
  Eles representavam para os israelitas todo o Antigo Testamento.
  Jesus é a explicação e a realização de toda a Lei e os Profetas.
  No Monte Sinai, falavam com Deus, aqui estão falando com Jesus...
- Israel era o filho predileto de Javé.
  Jesus é o Filho predileto do Pai, que os discípulos devem ouvir.

  Por isso: "os três levantaram os olhos e viram Jesus."
  Moisés e Elias desapareceram, já cumpriram a sua missão:
  apresentar ao mundo o Messias, o novo Profeta, o novo Legislador.

O Prefácio resume o sentido do evangelho de hoje:
"Cristo, depois de anunciar a morte a seus discípulos,
mostrou-lhes no Monte santo o esplendor de sua glória
para testemunhar, de acordo com a Lei e os Profetas,
que a Paixão é o caminho da Ressurreição."

A Nossa caminhada para Deus:
Também nós somos chamados por Deus a uma caminhada,
que é íngreme e difícil, como a escalada de uma alta montanha.
No final dessa viagem, que começa com o BATISMO,
seremos envolvidos pela mesma "nuvem luminosa",
que envolveu o Mestre e brilharemos como o sol no Reino do Pai.
Como os apóstolos, também seremos tentados a desanimar.
Mas Jesus nos dá força para enfrentar e olhar além.
Ao transfigurar-se aos apóstolos na glória da Trindade,
quis manter viva neles a chama da esperança.
Com a sua morte, o sonho não tinha acabado.
Por isso, eles e nós não devemos desanimar, por causa da cruz.

+ "Descer o Monte"
Na Transfiguração, Jesus nos revela também o valor da Vida,
as belezas criadas por Deus na Natureza que devemos cultivar e guardar.
Em Jesus aparece a beleza do ser humano
e de toda natureza que o envolve.

Diante das ameaças e agressões à Vida, Jesus nos tranqüiliza:
"Levantai-vos. Não tenhais medo!".
Convida-nos a "descer o Monte" e retomar
a dolorosa caminhada em defesa da Vida.

Pela Transfiguração, Jesus mostra que essa realidade hostil,
em que vivemos, pode e deve ser mudada, transfigurada...
O caminho é escutar o Filho amado e segui-lo com fidelidade...

Que a Caminhada Quaresmal nos ajude a descobrir esse Cristo glorioso,
a escutar e acolher a sua voz

para que a Páscoa aconteça dentro de cada um de nós. (B N AGUAS)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O QUE É A QUARESMA?

O QUE É A QUARESMA?Chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado pela última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o batismo.
DESDE QUANDO SE VIVE A QUARESMA?
Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-la no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos em um princípio, nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.
POR QUE A QUARESMA NA IGREJA CATÓLICA?
“A Igreja se une todos os anos, durante os quarenta dias da Grande Quaresma, ao Mistério de Jesus no deserto” (n. 540).
QUAL É, PORTANTO, O ESPÍRITO DA QUARESMA?
Deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.
O QUE É A PENITÊNCIA?
A penitência, tradução latina da palavra grega que na Bíblia significa a conversão (literalmente a mudança do espírito) do pecador, designa todo um conjunto de atos interiores e exteriores dirigidos a reparação do pecado cometido, e o estado de coisas que resulta dele para o pecador.
Literalmente mudança de vida, se diz do ato do pecador que volta para Deus depois de haver estado longe Dele, ou do incrédulo que alcança a fé.
QUE MANIFESTAÇÕES TEM A PENITÊNCIA?“A penitência interior do cristão pode ter expressões muito variadas. A Escritura e os Padres insistem sobre tudo em três formas: o JEJUM, a oração, a missa, que expressam a conversão com relação a si mesmo, com relação a Deus e com relação aos demais. Junto a purificação radical operada pelo Batismo ou pelo martírio, citam, como meio de obter o perdão dos pecados, os esforços realizados para reconciliar-se com o próximo, as lágrimas de penitência, a preocupação pela salvação do próximo, a intercessão dos santos e a prática da caridade “porque a caridade cobre a multidão dos pecados” (1 Pedro, 4,8.).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1434).
SOMOS OBRIGADOS A FAZER PENITÊNCIA?
“Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência; não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobre tudo, observando o jejum e a abstinência.” (Código de Direito Canônico, c. 1249).
QUAIS SÃO OS DIAS E TEMPOS PENITENCIAIS?
“Na Igreja universal, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma.” Código de Direito Canônico, c. 1250).
QUE DEVE SE FAZER TODAS AS SEXTAS-FEIRAS DO ANO?
Em lembrança do dia em que Jesus morreu na Santa Cruz, “todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve se fazer a abstinência de carne, ou de outro alimento que seja determinado pela Conferência Episcopal; jejum e abstinência se guardarão na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.” (Código de Direito Canônico, c. 1251).
QUANDO É A QUARESMA?A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina imediatamente antes da Missa Vespertina no Domingo de Páscoa . Todo este período forma uma unidade, podendo-se distinguir os seguintes elementos:
A Quarta-feira de Cinzas.
Domingo de Ramos da Paixão do Senhor.
A Missa Crismal.
As férias.
O QUE É QUARTA-FEIRA DE CINZAS?
É um princípio da Quaresma; um dia especialmente penitencial, em que manifestamos nosso desejo pessoal de CONVERSÃO a Deus.
Quando vamos aos templos em que nos impõem as cinzas, expressamos com humildade e sinceridade de coração, que desejamos nos converter e crer de verdade no Evangelho.
QUANDO TEVE ORIGEM A PRÁTICA DAS CINZAS?
A origem da imposição da cinza pertence a estrutura da penitência canônica. Começou a ser obrigatória para toda a comunidade cristã a partir do século X. A liturgia atual conserva os elementos tradicionais: imposição da cinza e jejum rigoroso.
QUANDO SE ABENÇOA E SE IMPÕEM A CINZA?
A benção e a imposição da cinza tem lugar dentro da Missa, após a homilia; embora em circunstâncias especiais, se pode fazer dentro de uma celebração da Palavra. As formas de imposição da cinza se inspiram na Escritura: Gn, 3, 19 e Mc 1, 15.
DE ONDE PROVEM A CINZA?
A cinza procede dos ramos abençoados no Domingo da Paixão do Senhor, do ano anterior, seguindo um costume que se remonta ao século XII. A forma de benção faz relação a condição pecadora de quem a recebeu.
QUAL É O SIMBOLISMO DA CINZA?
O simbolismo da cinza é o seguinte:
Condição fraca do homem, que caminha para a morte;
Situação pecadora do homem;
Oração e súplica ardente para que o Senhor os ajude; Ressurreição, já que o homem está destinado a participar no triunfo de Cristo;
A QUE NOS CONVIDA A IGREJA NA QUARESMA?A Igreja persiste nos convidando a fazer deste tempo como um retiro espiritual em que o esforço de meditação e de oração deve ser sustentado por um esforço de mortificação pessoal cuja medida, a partir deste mínimo, permanece a liberdade e generosidade de cada um.
O QUE DEVE SE CONTINUAR VIVENDO NA QUARESMA?
Se vive bem a Quaresma, deverá se alcançar uma autêntica e profunda CONVERSÃO pessoal, preparando-nos, deste modo, para a maior festa do ano: o Domingo da Ressurreição do Senhor.
O QUE É A CONVERSÃO?
Converter-se é reconciliar-se com Deus, apartar-se do mal, para estabelecer a amizade com o Criador.
Supõe e inclui deixar o arrependimento e a Confissão (ver o Guia da Confissão) de todos e cada um de nossos pecados.
Uma vez em graça (sem consciência de pecado mortal), temos de mudar desde dentro (em atitudes) tudo aquilo que não agrada a Deus.
POR QUE SE DIZ QUE A QUARESMA É UM “TEMPO FORTE” E UM “TEMPO PENITENCIAL?
“Os tempos e os dias de penitência ao largo do ano litúrgico (o tempo de QUARESMA, cada Sexta-feira em memória da morte do Senhor) são momentos fortes da prática penitencial da Igreja. Estes tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, as liturgias penitenciais, as peregrinações como sinal de penitência, o jejum, a comunhão cristã de bens (obras caritativas e missionárias).” (Catecismo Igreja Católica, n. 1438)
COMO CONCRETIZAR MEU DESEJO DE CONVERSÃO?
De diversas maneiras, mas sempre realizando obras de conversão, como , por exemplo:
Ir ao Sacramento da Reconciliação (Sacramento da Penitência ou Confissão) e fazer uma boa confissão: clara, concisa, concreta e completa.
Superar as divisões, perdoando e crescer em espírito fraterno.
Praticando as Obras de Misericórdia.
QUAIS SÃO AS OBRAS DE MISERICÓRDIA?As Obras de Misericórdia espirituais são:
Ensinar ao que não sabe.
Dar bons conselhos ao que necessita.
Corrigir ao que erra.
Perdoar as injúrias.
Consolar ao triste.
Sofrer com paciência as adversidades e fraquezas do próximo.
Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos
As Obras de Misericórdia corporais são:
Visitar ao enfermo.
Dar de comer ao faminto.
Dar de beber ao sedento.
Socorrer ao cativo.
Vestir ao desnudo.
Dar abrigo ao peregrino.
Enterrar a os mortos.
QUE OBRIGAÇÕES TEM UM CATÓLICO EM QUARESMA?
Tem que cumprir com o preceito do JEJUM e a ABSTINÊNCIA, assim como a CONFISSÃÓ e COMUNHÃO anual.
EM QUE CONSISTE O JEJUM?
O JEJUM consiste em fazer uma única refeição ao dia, sendo que se pode comer algo menos que o de costume pela manhã e a noite. Não se deve comer nada entre os alimentos principais, salvo em caso de doença.
A QUEM SE OBRIGA O JEJUM?
Se obriga a viver a lei do jejum, todos os maiores de idade. (cfr. CIC, c. 1252).
O QUE É A ABSTINÊNCIA?
Se chama abstinência a proibição de comer carne (vermelha ou branca e seus derivados).
A QUEM SE OBRIGA A ABSTINÊNCIA?
A lei da abstinência se obriga aos que já tem catorze anos.(cfr. CIC, c. 1252).
PODE SER MUDADA A PRÁTICA DA ABSTINÊNCIA?
“A Conferência Episcopal pode determinar com mais detalhes o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substituirmos em parte por outras formas de penitência, sobre tudo por obras de caridade e práticas de piedade.” (Código de Direito Canônico, c. 1253).
O QUE IMPORTA DE VERDADE NO JEJUM E NA ABSTINÊNCIA?Deve se cuidar no viver o jejum ou a abstinência com alguns mínimos, mas como uma maneira concreta como a que nossa Santa Mãe Igreja nos ajuda a crescer no verdadeiro espírito de penitência.
QUE ASPECTOS PASTORAIS CONVÊM RESSALTAR NA QUARESMA?
O tempo de Quaresma é um tempo litúrgico forte, em que toda a Igreja se prepara para a celebração das festas pascais. A Páscoa do Senhor, o Batismo e o convite a reconciliação, mediante o Sacramento da Penitência, são suas grandes coordenadas.
Se sugere utilizar como meios de ação pastoral:
A catequese do Mistério Pascal e dos sacramentos;
A exposição e celebração abundante da Palavra de Deus, como aconselha vivamente o cânon. 767, & 3, 3).
A participação, se possível diária, na liturgia quaresmal, nas celebrações penitenciais e, sobre tudo, na recepção do sacramento da penitência: “são momentos fortes na prática penitencial da Igreja” (CEC, n. 1438), fazendo notar que “junto as conseqüências sociais do pecado, detesta mesmo o pecado enquanto é ofensa a Deus”;
O desenvolvimento dos exercícios espirituais, as peregrinações, como penitência assinam, as privações voluntárias como o jejum, a caridade, as obras beneficentes e missionários.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

HOMILIA PARA 19 FEVEREIRO 2017


Perfeitos como o Pai

Nesse domingo, continuaremos o Sermão da Montanha.
Jesus nos coloca a essência do seu ensinamento:
O AMOR,
para sermos "perfeitos como o Pai".

O Evangelho apresenta mais dois exemplos (antíteses),
que mostram a novidade de Jesus em relação a antiga Lei:
Perdão em vez de vingança, e Amor em vez de Ódio... (Mt, 5,38-48)

1) PERDÃO: "Ouvistes: Dente por dente, olho por olho..."
    É a conhecida Lei do talião, que não pretendia autorizar a vingança,  
    mas limitar, proteger os direitos das pessoas contra os excessos da violência.  
    Não podia ser maior do que a violência original...
               A intenção era 

    EU: "Não ofereçais resistência ao malvado...":
   Jesus cita quatro exemplos de situações de violência:
             - Violência física:                Se te bater na Face direita à oferece a esquerda;
            - Injustiça econômica:          Se tomar tua túnica à dá-lhe também o manto;
            - Abuso do Poder:               Se mandar andar um Km à anda dois;
            - Empréstimo:                     Se alguém te pedir à não vires as costas.

Na lógica dos homens é uma loucura... O próprio Cristo diante da bofetada,
não ofereceu a outra face... mas protestou...
- A Lei antiga procurava limitar a violência, mas, na prática, justificava...

- JESUS: Não é suficiente...
                o Cristão deve ser um sacramento de amor e de perdão.

PERDÃO: é uma extensão do amor. Através do perdão,
o amor é confirmado e a paz se faz presente na relação humana.
A não resistência ao malvado rompe o ciclo contínuo da vingança.
- Perdão é cortar o mal pela raiz, extinguindo a maldade e o ressentimento.
  A dificuldade de perdoar impede o seguimento radical de Jesus Cristo
- Não é uma resignação fatalista, mas a não violência ativa do amor...
   (Exemplos: M.L.King, Gandhi, Dom Romero...)
- Suportar a injustiça não significa aprová-la, pode ser uma denúncia profética...
  = Amar como Deus ama é o núcleo do novo.
     Só assim podemos rezar o Pai Nosso: "Perdoai, assim como perdoamos..".

* O Espírito de vingança ("Talião" de hoje)
   está bem enraizado também em nosso coração:
   "Quem ri por último, ri melhor..."; "Não levo desaforo para casa..."

2) AMOR AOS INIMIGOS: "Ouviste o que foi dito:
Amarás o teu próximo, e odiarás (não é preciso amar) o teu inimigo..."

    EU: "Amai os vossos inimigos, e rezai pelos que vos perseguem..."
- Já no Antigo Testamento encontramos:
. "Não guardes ódio no coração contra teu irmão".
. "Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas".
. "Amarás o próximo como a ti mesmo..." (1ª Leitura Lv 19,1-2.17-18)

O texto esclarece que a "Santidade" que o Senhor exige
não se manifesta em formas de religiosidade  externa,
mas no amor ao irmão.
Mas na prática, o amor ao próximo se limitava só para os compatriotas...

- JESUS: amplia as dimensões da caridade: amar até os inimigos...
  Motivo: Uns e outros são filhos de Deus = irmãos...

A compreensão de que somos todos filhos do mesmo Pai e Mãe e
a percepção de que seu amor é sem limites leva à fraternidade universal,
à solidariedade e à partilha, vivendo-se com alegria,
tendo como meta a união e a paz.

E nos apresenta um Modelo: O Pai Celeste:
"Sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito..."
A Imitação de Deus, na sua perfeição ou santidade,
concretiza-se no amor manifestado também ao inimigo.
Trata-se de um amor gratuito e desinteressado,
que supera a restrição à religião e à raça.
"Desse modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus".
O amor sem distinção possibilita fazer a experiência de filhos,
reproduzindo na terra a bondade do Pai celeste,
que "faz nascer o seu sol sobre maus e bons,
e faz cair a chuva sobre justos e injustos."
O amor leva a superar o espírito de hostilidade, a vingança, o ódio e o rancor, para construir a fraternidade.

Só assim nos tornamos verdadeiros filhos de Deus...
- "Se amais aos que vos amam... que recompensa tendes?
    também os publicanos (pecadores) o fazem..."
- "Se saudais os vossos irmãos... Os gentios também o fazem..."

* Será um programa realizável? Ou uma Utopia para sonhadores, uma loucura?
Muitos cristãos provaram pelo seu testemunho heroico que é possível...

A 2ª Leitura responde que é uma loucura para os homens,
mas é "Sabedoria" para Deus. (1Cor 3, 16-23)

+ Temos inimigos a perdoar e rezar por eles?
+ Pessoas que não gostamos ou que não gostam de nós?
+ Qual a nossa atitude para com elas?

+ A Eucaristia que celebramos é de fato

    um gesto de COMUNHÃO com Deus e os irmãos? (B N AGUAS)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

LITURGIA DOMINICAL 12 FEVEREIRO 2017

O Cristão e a Lei

A Liturgia de hoje nos dá a oportunidade de refletir
sobre qual deve ser a atitude do cristão diante da LEI DE DEUS.
Para muitos, é um tabu, uma série de proibições,
que desaprovam muitas de nossas atitudes ou ações...
- Será esse o verdadeiro sentido dos Mandamentos?

A 1a Leitura apresenta Deus propondo os Mandamentos ao Povo de Israel,
num clima de aliança... E o povo acolhe unânime. (Eclo 5,16-21)

* Para o povo de Israel, o amor e a fidelidade à Lei
constituem toda a justiça e a santidade... apesar de muitas infidelidades...
Mas, com o passar do tempo, reduziu a Lei a uma observância
puramente externa, sem uma convicção interior mais profunda...

No Evangelho, CRISTO censura tal atitude e aponta a verdadeira justiça.
"Se a vossa justiça não for maior que a justiça dos escribas e fariseus,
não entrareis no Reino dos céus!" (Mt 5,17-37)

* Não é suficiente uma fidelidade material e externa da Lei...
A Lei foi criada para garantir e preservar a vida,
e não usar a vida para garantir a lei.

E apresenta 6 exemplos concretos.
São Antíteses: "Ouvistes o que foi dito... EU, porém, vos digo..." 
mediante as quais ele proclama o sentido da nova Lei.
Hoje são lidas as primeiras quatro, referentes aos temas:
Homicídio, Adultério, Divórcio e Perjúrio.
As última duas: Perdão no lugar  de vingança (Lei do talião) e
e o Amor ao inimigo, em invés de ódio, fica para o próximo domingo.

1) HOMICÍDIO: "Ouvistes: Não matarás...
                              aquele que matar terá de responder em Juízo..."
EU: "Todo aquele que se encolerizar contra seu irmão,
         terá que responder em  juízo..."

CONDENA: todo tipo de morte: calúnia... mentira... fraude... ofensa...
                      Matar lideranças, não dando espaço na comunidade...
                      E o ABORTO?
(Se houvesse um Raio X capaz de mostrar o cemitério
que criamos dentro de nosso coração, nós nos assustaríamos...
Quantas pessoas estão mortas, para nós!)
Matar é um processo que tem início, meio e fim... Precisa não começar...

2) ADULTÉRIO: "Ouvistes: não cometerás adultério..."
                               (eram bem mais severos para as mulheres).
EU: "Quem olhar para uma mulher com desejo desonesto...
         já pecou em seu coração".
CONDENA: Não só o ato consumado de adultério, mas também o desejo...
                      o adultério de coração.... certas amizades já são adultério...
Precisa não dar início ao processo que leva ao fato concreto...
 Não basta manter escondido da esposa ou do esposo as infidelidades.
"Se teu olho for ocasião de queda... corta-o"...
Não devemos tomar ao pé da letra, mas significa radicalidade.

3) DIVÓRCIO: "Ouvistes: Aquele que repudiar sua mulher,
                          dê-lhe um certificado de repúdio".
           A lei de Moisés "tolerava" o divórcio em certos casos (união ilícita),
           para preservar a mulher nesses casos: direito de igualdade.
EU: "Todo aquele que repudia sua mulher, faz com que ela adultere:
         E quem se casa com ela, comete adultério".

CONDENA: O Divórcio anula a tolerância da Lei mosaica...
                     e afirma a indissolubilidade do vínculo matrimonial...
        * Qual nossa Atitude Pastoral, hoje, para os separados, e os de 2ª União?

4) JURAMENTO: "Ouviste: Não jurarás falso...”
EU: "Não jureis de modo algum... Vosso SIM seja SIM, vosso NÃO, NÃO.
         Tudo que for, além disso, vem do Maligno..."

CONDENA: A falsidade... e proclama a caducidade do juramento.
E por que precisa jurar?

A única garantia da palavra dada é a verdade e a sinceridade dela.

O Sermão da Montanha nesse trecho nos ensina que a vida espiritual
não está num catálogo de normas perfeitas que proíbem as más ações,
mas limpeza da fonte de todas as ações: o coração.
Pois dele procedem assassínios, adultérios, prostituições,
falsos testemunhos e difamações.

O Salmo afirma: "Feliz quem tem vida pura e segue a Lei do Senhor".

Na 2ª Leitura, Paulo fala da "Sabedoria de Deus",
tão diferente da dos homens.  (1Cor 2,6-10)

E NÓS, como observamos os Mandamentos?
- Com o espírito do Antigo Testamento?  
  (fazer isto ou aquilo porque é lei, porque é "obrigado" ?
- Por que vou à Missa? Porque é um preceito?

"Se a justiça de vocês não for maior que a dos escribas e fariseus...
  vocês não entrarão no Reino dos céus".

"Quem me AMA, guarda os meus mandamentos..."
 Seja a nossa observância uma expressão sincera e profunda

 do nosso amor para com Deus.       (B N  AGUAS)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

HOMILIA SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO


"Sal e Luz"- 5º. Domingo TC

Continuando o Sermão da Montanha,
JESUS mostra, mediante dois símbolos,
o compromisso no Reino de Deus:
ser: SAL DA TERRA e LUZ DO MUNDO.

A 1ª Leitura apresenta as condições para ser Luz.
Não basta o cumprimento de ritos estéreis e vazios,
precisa o compromisso concreto que leva o homem a ser
um sinal do amor de Deus no meio do povo. (Is 58,7-10)

A 2ª Leitura avisa que ser "Luz" não é colocar a sua esperança de salvação
em esquemas humanos de sabedoria, mas identificar-se com Cristo. (1Cor 2,1-5)

No Evangelho, Jesus define a identidade de seu discípulo:
deve ser "Sal da terra e luz do mundo". (Mt 5,13-16)

+ Para que serve o Sal?

  - Para dar SABOR à comida e CONSERVAR os alimentos...
    O que o Sal é para a comida, o cristão deve ser para o seu semelhante:
     * Tornar a Religião apetitosa e agradável...
        Ser o tempero que dá o gosto pelas coisas de Deus,
        que dá o sabor à vida, com seu entusiasmo, seu otimismo,
        sua alegria nascida de Deus, fonte de todo bem.
     * Ser um elemento que preserva o mundo de hoje da corrupção...

- Sua PRESENÇA na comida é discreta, mas atua eficazmente.
  O sal se dissolve completamente nos alimentos e se perde em agradável sabor.
  (Só se nota quando há de mais ou quando falta).
  * Assim o cristão: Ser sal da terra, humilde, derretido, saboroso,
     que atua de dentro, que não se nota, mas é indispensável.

- O Sal jamais PERDE A QUALIDADE de sal...
  * Os cristãos podem fazer o sal perder seu sabor:
      tirando o sabor da mensagem de Jesus, das exigências do evangelho...
      E o que fazer deles? "De nada mais serve senão ser jogado fora..."

E Cristo reforça essa verdade, ilustrando com outra figura:
"Vós sois a LUZ DO MUNDO".

+ O que é a Luz para nós?
    Sinal de vida, de calor, dinamismo, trabalho...

- Na Bíblia: a Luz tem um significado muito rico...:
  * Na criação: A Luz recorda o 1o ato do Criador...
  * No Êxodo do Egito, a Coluna de fogo guiava o povo para a Terra Prometida.
  * Isaías: O Servo de Javé: "Luz das nações".
  * Jesus: "Eu sou a Luz do Mundo; aquele que me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida".

A Luz por excelência é o esplendor do Pai...
É a Luz que dá sentido à vida, à dor e à própria morte...

- E Cristo não quer ser Luz sozinho:
  Por isso, nos convida a também nós sermos LUZ:
- A Luz do Círio batismal é um símbolo de nossa fé em Cristo...
    
+ Para que serve a Luz?

- Para mostrar o caminho... as belezas presentes na natureza.
   Sem a luz não as enxergamos...
  * O cristão deve ser uma luz acesa apontando
     os caminhos da vida, da liberdade, do amor, da fraternidade...
- Para iluminar os objetos,
   não para ser olhada em si mesma... nem para ficar escondida...

  * Cristão não a "Luz", mas um "reflexo da Luz",
     que mostra as coisas bonitas que a ação de Deus realizou em nós.
     "Assim brilhe a vossa luz diante dos homens... para que vejam as vossas
      boas obras e glorifiquem o Pai que está no céu". (Mt 5,16)

O discípulo não deve preocupar-se em atrair sobre si o olhar dos homens,
mas deve preocupar-se em conduzir o olhar e o coração dos homens
para Deus e para o Reino.     
Devemos enxergar "as boas obras" e glorificar o Pai (não a nós).

+ Ninguém é Luz por si próprio: é ligado a uma FONTE geradora:

   * Como a Lâmpada depende do Gerador,
      assim nós dependemos do gerador que é Cristo para iluminar.
      E iluminamos na medida em que estivermos ligados ao Senhor.
      Essa união se faz pela meditação da palavra de Deus,
      pela comunhão eucarística e pela oração...

+ Essa é a nossa Missão:
         Ser Sal da Terra e Luz do Mundo...

         SAL  que preserva da corrupção e dá gosto das coisas de  Deus...
         LUZ  que ilumina e se consome a serviço dos irmãos,
                    iluminando o caminho que leva ao Pai...

Os verdadeiros discípulos de Cristo dão cor e sabor a este mundo...
Se não, serão INÚTEIS... jogados fora...

Peçamos a Deus muita LUZ para compreender essa missão e
                           muita FORÇA para sermos de fato:
                            - Sal da Terra e
                            - Luz do Mundo... (B.N.AGUAS)