quarta-feira, 30 de março de 2016

FESTA DA DIVINA MISERICORDIA O QUE É

O que é a festa da Divina Misericórdia

Neste Domingo da Divina Misericórdia somos chamados a renovar a nossa fé, como o apóstolo São Tomé. Esta fé, no entanto, não é uma fé genérica. Devemos crer na misericórdia que se manifesta no
Mistério Pascal: paixão, morte e ressurreição. Jesus recorda a Santa Faustina que os demônios sabem de outros atributos de Deus, mas a misericórdia é uma característica na qual eles não conseguem crer.

Esta incredulidade é uma verdadeira ferida no coração de Jesus. Por isto Nosso Senhor pede a Santa Faustina a instituição da festa da Divina Misericórdia. Nela os pecadores devem se aproximar com confiança do coração misericordioso que nos lava de nossos pecados (raio de luz branca – água) e nos imerge no amor de Deus (raio de luz vermelha – sangue).

"Oh! Como Me fere a incredulidade da alma! Essa alma confessa que sou Santo e Justo e não crê que sou Misericórdia, não acredita em Minha bondade. Alegra-se o Meu Coração com esse título da Misericórdia. Diz que a Misericórdia é o maior atributo de Deus. Todas as obras das Minhas mãos são coroadas pela misericórdia". (Santa Faustina Kowalska, Diário. A Misericórdia Divina na minha alma, Editora Mãe da Misericórdia, Curitiba, 201140).
O Bem-aventurado João Paulo II, seguindo as indicações de Jesus a Santa Faustina, não somente instituiu a festa, mas concedeu indulgência plenária aos fiéis neste domingo:

"Concede-se a Indulgência plenária nas habituais condições (Confissão sacramental, Comunhão eucarística e orações segundo a intenção do Sumo Pontífice) ao fiel que no segundo Domingo de Páscoa, ou seja, da "Misericórdia Divina", em qualquer igreja ou oratório, com o espírito desapegado completamente da afeição a qualquer pecado, também venial, participe nas práticas de piedade em honra da Divina Misericórdia, ou pelo menos recite, na presença do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, publicamente exposto ou guardado no Tabernáculo, o Pai-Nosso e o Credo, juntamente com uma invocação piedosa ao Senhor Jesus Misericordioso (por ex., "Ó Jesus Misericordioso, confio em Ti"). (Decreto da Penitenciaria apostólicas, Anexadas indulgências aos atos de culto, realizados em honra da Misericórdia Divina, 29 de junho de 2002)

"A misericórdia é a compaixão que o nosso coração experimenta pela miséria alheia, que nos leva a socorrê-la, se o pudermos" (Santo Agostinho, De civitate Dei, IX, 5).

"Ser misericordioso é próprio de Deus e é pela misericórdia que ele principalmente manifesta a sua onipotência. Em relação ao que possui, a misericórdia não é a maior das virtudes, salvo se ele for o maior, não havendo ninguém acima dele, e todos lhe sendo submissos. Pois quem tem superior, é maior e melhor unir-se a ele do que suprir as deficiências do inferior. Eis porque, para o homem, que tem Deus como superior, a caridade que o une a Deus, é maior que a misericórdia" (Santo Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-II, 30, 4). Fonte: www.padrepauloricardo.org

sábado, 26 de março de 2016

LITURGIA PASCAL 2016

A vida venceu a morte

Hoje celebramos a FESTA DA VIDA... O túmulo está vazio...
Cristo está vivo para sempre. Como Madalena, Pedro e João,
nós professamos a fé no Senhor ressuscitado.

As Leituras bíblicas aprofundam o sentido desse acontecimento:

Na 1ª leitura, temos o testemunho e a catequese de Pedro
em Cesaréia, na casa do centurião romano Cornélio. (At 10,34.37-43)

Ele expõe o essencial da fé ("Kerigma") e batiza Cornélio e toda a sua família.
O episódio é importante porque é o primeiro pagão
a ser admitido ao cristianismo por um dos Doze.
KERIGMA é um resumo da Mensagem cristã,
que leva à aceitação de Cristo e da sua mensagem, através do Batismo:

* Pedro começa evocando os momentos principais da vida de Jesus.
por anunciar Jesus como "o ungido", que tem o poder de Deus;
* depois, descreve a atividade de Jesus,
   que "passou fazendo o bem e curando todos os oprimidos";
* em seguida, dá testemunho da morte de Jesus na cruz e da sua Ressurreição;
* finalmente, Pedro tira as conclusões de tudo isto:
   "quem acredita nele, recebe, pelo seu nome, a remissão dos pecados".

* Os discípulos são chamados a ser TESTEMUNHAS da Ressurreição,
    da Vitória da vida sobre a morte....

Na 2ª Leitura, temos o testemunho de Paulo.
O Batismo nos introduz na comunhão com Cristo Ressuscitado.

* Nossa vida deve ser uma caminhada coerente com essa vida nova:
"Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto…" (Cl 3,1-4)

No Evangelho, seguidores de Cristo procuram o Ressuscitado
e são convidados a manifestar a sua fé nele. (Jo 20,1-9)

- Maria Madalena, no "primeiro dia da semana" (ou de um novo tempo),
ainda "no escuro" procura no túmulo o Cristo morto.
Diante do túmulo vazio, pensa que haviam roubado o corpo do Senhor.
Mas quando ela o encontra, a fé desponta em seu coração.

* Ela representa a nova comunidade, que inicialmente acredita que a morte   
   triunfou e vai procurar Jesus morto no sepulcro. Diante do sepulcro vazio,  
   percebe que a morte não venceu e que Jesus continua vivo.

- Pedro, para quem a morte significava fracasso,
recusava aceitar que a vida nova passasse pela humilhação da cruz.
Para ele a Ressurreição de Jesus era uma hipótese absurda e sem sentido.
Com surpresa, ele viu o túmulo vazio e os panos dobrados...
Mas continuou "no escuro": "Viu e não creu".
* Ele representa o discípulo que tem dificuldade em aceitar
   que a vida nova passe pela humilhação da cruz.

- "O Discípulo que Jesus amava" (João), diante do sepulcro vazio,
Compreende os sinais e percebe que a morte não pôs fim à vida.
Descobre que Jesus está vivo. Por isso, ele "viu e acreditou".
É a primeira profissão de fé na Ressurreição.

* Ele representa o "discípulo ideal", que está em sintonia total com Jesus.
   É o paradigma do homem novo recriado por Jesus.
   O "Amor" conduz o discípulo pelo itinerário da fé...
* Por que não tem nome?
Para que cada um de nós possa incluir o eu nome e compreender o que deve fazer para ser como Jesus quer.
- E nós conseguimos ver apenas os sinais de morte como Pedro,
ou sabemos descobrir os sinais da Ressurreição?

- As Mulheres: abandonam depressa o lugar da morte e
correm para anunciar aos irmãos que Cristo está vivo.
* Representam os que acreditam na vitória da vida e
testemunham aos seus irmãos essa fé.

- Os Guardas: deixam-se corromper pelo dinheiro.
Simbolizam os que, por amor aos bens desse mundo,
preferem mais a mentira do que a Verdade, mais a morte do que a Vida.

+ PÁSCOA: É o maior acontecimento celebrado pela Igreja, na Liturgia.
- Mas a Páscoa não é apenas um FATO PASSADO...
Cada festa Pascal é um novo apelo de Deus,
que nos convida a morrermos com Cristo,
a nos separarmos do homem velho do pecado,
a fim de nos revestirmos do homem novo e
ressurgir para uma vida nova na graça e na santidade.
- A Páscoa não é apenas UM DIA DO ANO...
É um processo permanente que deve acontecer dentro de nós.
Todos os dias o cristão celebra a Páscoa, quando combate o homem velho
do pecado, para se revestir do homem novo, em Cristo.

TODO DOMINGO, revivendo os mistérios pascais na Eucaristia,
deve ser um momento forte dessa Páscoa, que parece não ter fim...

Prezado irmão, desejo-lhe uma FELIZ PÁSCOA...
não é a de um Cristo morto, perdido no passado,
mas sim de um Cristo vivo, glorioso, atual,
que faz vibrar o seu coração e dar um sentido novo ao seu viver...
Que assim seja!...     (B N AGUAS)

segunda-feira, 21 de março de 2016

SIGNIFICADO DO TRIDUO PASCAL

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a idéia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.
O tríduo pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado da Semana Santa. Era um tríduo da paixão.
No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da paixão e ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:
Cristo redimiu ao gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O tríduo pascal da paixão e ressurreição de Cristo é, portanto, a culminação de todo o ano litúrgico.
Logo estabelece a duração exata do tríduo:
O tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.
Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua paixão e morte, nunca as dissociava de sua ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana de quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: "O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará".
É significativo que os pais da Igreja, tanto Santo Ambrosio como Santo Agostinho, concebam o tríduo pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como aos três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: "Destruam este templo e em três dias o reedificaré". Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como "os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo".
Esses três dias, que começam com a missa vespertina da quinta-feira santa e concluem com a oração de vésperas do domingo de páscoa, formam uma unidade, e como tal devem ser considerados. Por conseguinte, a páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um tudo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.
Interessa saber que tanto na sexta-feira como na sábado santo, oficialmente, não formam parte da quaresma. Segundo o novo calendário, a quaresma começa na quarta-feira de cinza e conclui na quinta-feira santa, excluindo a missa do jantar do Senhor 1. na sexta-feira e na sábado da semana Santa não são os últimos dois dias de quaresma, mas sim os primeiros dois dias do "sagrado tríduo".
Pensamentos para o tríduo.
A unidade do mistério pascal tem algo importante que nos ensinar. Diz-nos que a dor não somente é seguida pelo gozo, senão que já o contém em si. Jesus expressou isto de diferentes maneiras. Por exemplo, no último jantar disse a seus apóstolos: "Se entristecerão, mas sua tristeza se trocará em alegria" (Jn 16,20). Parece como se a dor fosse um dos ingredientes imprescindíveis para forjar a alegria. A metáfora da mulher com dores de parto o expressa maravilhosamente. Sua dor, efetivamente, engendra alegria, a alegria "de que ao mundo lhe nasceu um homem".
Outras imagens vão à memória. Todo o ciclo da natureza fala de vida que sai da morte: "Se o grão de trigo, que cai na terra, não morre, fica sozinho; mas se morrer, produz muito fruto" (Jn 12,24).
A ressurreição é nossa páscoa; é um passo da morte à vida, da escuridão à luz, do jejum à festa. O Senhor disse: "Você, pelo contrário, quando jejuar, unja-se a cabeça e se lave a cara" (MT 6,17). O jejum é o começo da festa.
O sofrimento não é bom em si mesmo; portanto, não devemos buscá-lo como tal. A postura cristã referente a ele é positiva e realista. Na vida de Cristo, e sobre tudo na sua cruz, vemos seu valor redentor. O crucifixo não deve reduzir-se a uma dolorosa lembrança do muito que Jesus sofreu por nós. É um objeto no que podemos nos glorificar porque está transfigurado pela glória da ressurreição.
Nossas vidas estão entretecidas de gozo e de dor. Fugir da dor e as penas a toda costa e procurar gozo e prazer por si mesmos são atitudes erradas. O caminho cristão é o caminho iluminado pelos ensinos e exemplos do Jesus. É o caminho da cruz, que é também o da ressurreição; é esquecimento de si, é perder-se por Cristo, é vida que brota da morte. O mistério pascal que celebramos nos dias do sagrado tríduo é a pauta e o programa que devemos seguir em nossas vidas. (ACI DIGITAL)

sexta-feira, 18 de março de 2016

DOMINGO DE RAMOS

 Hosana Hey

Com o Domingo de Ramos, iniciamos a Semana Santa.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém marca o fim daquilo que Jerusalém representava para o Antigo Testamento e assinala o início da nova Jerusalém,
a Igreja, que se estenderá por todo o mundo
como um sinal universal da futura redenção.

Na Igreja primitiva a celebração desse domingo focalizava aspectos diferentes:
Em Roma, o tema central era a Paixão do Senhor;
em Jerusalém, era a Entrada triunfal de Jesus, destacando a Procissão dos ramos.
Atualmente, as duas tradições se integram numa única celebração.
- Por isso, a celebração começa com o rito da bênção dos ramos,
   a leitura da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e a procissão.
- Termina com a celebração da Eucaristia, com a proclamação da Paixão.

+ Na 1ª PARTE, nos unimos ao Povo de Jerusalém,
   que aclama alegre e feliz: "Hosana ao Filho de Davi".

- O Povo estende seus mantos a Jesus que passa, montado num burrinho,
  e com entusiasmo o saúda com ramos nas mãos.
- Os fariseus reclamam dessa agitação "exagerada".
- E Jesus responde: "Se eles se calarem, as pedras gritarão..."

* É a entrada do "Príncipe da Paz",
   que esconde os trágicos acontecimentos da paixão.

+ A 2ª PARTE nos introduz na SEMANA SANTA.

+ A 1ª Leitura apresenta a Missão do "Servo Sofredor",
que testemunhou no meio dos povos a Palavra da Salvação.
Apesar do sofrimento e da perseguição,
o Profeta confiou em Deus e realizou o Plano de Deus. (Is 50,4-7)

* Os primeiros cristãos viram nesse "Servo" a figura de Jesus.

O Salmo tem grande importância: é mencionado por Cristo na Cruz:
"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?"

A 2ª Leitura é um HINO, que apresenta o "despojamento" de Jesus.
Humilhou-se até a morte de cruz como o Servo de Javé,
mas foi glorificado como Filho de Deus na Ressurreição. (Fl 2,6-11)

O Evangelho convida-nos a contemplar a PAIXÃO e Morte de Jesus,
segundo a narrativa de Lucas. (Lc 22, 1-49)

+ O Sentido da Paixão e Morte de Jesus:
A morte de Jesus deve ser entendida no contexto daquilo que foi a sua vida. Desde cedo, Jesus percebeu que o Pai o chamava a uma missão:
Anunciar a Boa Nova aos pobres e pôr em liberdade os oprimidos.
Para concretizar este projeto, Jesus passou pelos caminhos da Palestina,
"fazendo o bem" e anunciando um mundo novo de vida, de liberdade,
de paz e de amor para todos.
 - Ensinou que Deus era amor e não excluía ninguém, nem os pecadores;
ensinou que os pobres e os marginalizados eram os preferidos de Deus.
- Avisou os “ricos” e os poderosos, de que o egoísmo e o orgulho,
só podiam conduzir à morte.

- O projeto libertador de Jesus entrou em choque com as autoridades,
que se sentiram incomodadas com a denúncia de Jesus:
não estavam dispostas a renunciar poder, influência, domínio, privilégios.
Por isso, prenderam Jesus, julgaram-no, condenaram-no e pregaram-no na cruz. A morte de Jesus é a conseqüência do anúncio do Reino
que provocou tensões e resistências.

DADOS EXCLUSIVOS DE LUCAS:

- Só Lucas põe Jesus dizendo: "fazei isto em memória de mim".
  Não é apenas repetir as palavras de Jesus sobre o Pão e o Vinho,
  mas também a entrega de Jesus, a doação da vida por Amor.
- Apresenta a discussão sobre quem era o "maior".
  Jesus avisa que o "maior" é aquele que serve.
  Apresenta seu exemplo e convoca os discípulos a fazerem o mesmo.
- No Jardim das Oliveiras, acentua a fragilidade humana de Jesus.
  Fala do anjo, do suor de sangue e da submissão total ao projeto do Pai.
- Aparece a Bondade e a Misericórdia de Deus em gestos concretos:
   . Cura do guarda ferido por Pedro...
   . As Palavras na Cruz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem".
   . Ao Bom Ladrão: "Ainda hoje estarás comigo no paraíso".
   . Preocupa-se com as mulheres que choram sua morte:
     "Chorai antes... sobre vós... e sobre vossos filhos".
- Simão de Cirene carrega a cruz "atrás de Jesus".
  Modelo do Discípulo, que toma a cruz de Jesus e o segue no seu caminho...

+ Celebrar a Paixão e Morte de Jesus
é abismar-se na contemplação de um Deus a quem o amor tornou frágil...
Por amor, ele veio ao nosso encontro, assumiu os nossos limites,
experimentou a fome, o sono, o cansaço, conheceu a mordedura das tentações, tremeu perante a morte, suou sangue antes de aceitar a vontade do Pai;
e, estendido no chão, esmagado contra a terra, traído, abandonado, incompreendido, continuou a amar.

+ Contemplar a Cruz onde se manifesta o amor de Jesus:
- Significa assumir a mesma atitude de amor, de entrega e
  solidarizar-se com os que continuam sendo crucificados...
- Significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão, medo...
- Significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens.
- Significa aprender com Jesus a entregar a vida por amor...
+ Somos convidados a começar a Semana Santa, com um novo ardor...
Que o grito de alegria de hoje, não se converta em "crucifica-o", na sexta feira.
Que os ramos, que são brotos novos de propósitos santos,
não murchem nas mãos e se convertam em ramos secos.
Caminhemos até a Páscoa com amor.

+ Levamos hoje para casa RAMOS BENTOS,
   como lembrança dessa celebração. 
Não devem ser vistos como algo folclórico,
como amuletos da sorte,
mas algo sagrado, que levamos para casa
como um SINAL visível do compromisso assumido
de seguir Jesus no caminho ao Pai.

A presença dos ramos em nossos lares deve ser uma lembrança
de que hoje aclamamos a Jesus, como nosso Rei,

e que desejamos aclamá-lo durante toda a nossa vida, como nosso Salvador. (B N AGUAS) 

domingo, 13 de março de 2016

EVANGELHO DA PECADORA PERDOADA – 13/03/1016

No Evangelho deste domingo temos a má vontade e a hipocrisia, de um lado, e a justiça e bondade de Deus, do outro. Evidentemente, o Amor é mais inteligente e vence a hipocrisia.

Uma mulher é apanhada em adultério. Naquela época cometer adultério não significava necessariamente estar com outra pessoa, mas bastava apenas a insinuação. Preferimos entender assim, já que não se fala do parceiro com quem a adúltera pecava.
Os fariseus, plenos de malícia, mais uma vez preparam uma cilada para que Jesus caia como blasfemo e entre em contradição com sua doutrina, a do amor.Podemos ver aí duas atitudes:
Do lado dos fariseus temos pessoas altamente preocupadas pela legalidade e pelo cumprimento das prescrições mosaicas. Elas  não suportam o pecado, dos outros! Por isso Jesus diz : “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Existem pessoas que têm verdadeira obsessão pelos pecados, sobretudo sexuais, dos outros. Por que se deleitam em divulgar os pecados dos outros? Sempre arranjam justificativas para isso. Serão de fato puros e inocentes estes pregoeiros da moral?
Por outro lado Jesus, condoído pelo vexame e constrangimento vivido pela mulher, quer ajudá-la, quer revesti-la com a dignidade que havia perdido – por seu pecado e pela exposição feita pelos fariseus - , quer levantá-la. Afinal ele veio para salvar, para dar vida!
Mas nesse “imbroglio” está em jogo a missão de Jesus como Redentor – e é isso que os fariseus desejam verdadeiramente atingir. Podemos dizer que os fariseus queriam pegar dois coelhos com uma única cajadada: eliminar a mulher e desmoralizar Jesus, destruí-lo.
O Senhor, conhecendo os corações e pleno de sabedoria, dá tempo ao seu sentimento humano e respira fundo, rabiscando no chão. Depois, levanta a cabeça e, senhor da situação, com toda serenidade diz: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra!” Quem dentre os presentes jamais tivera um pensamento impuro? Quem dentre os presentes foi feito de natureza diferente? Quem dentre os presentes respeitava plenamente os dez mandamentos?
O pecado é um mal que fere o homem. Por isso, Deus o detesta, Jesus o detestou. Mas ele não condena o pecador, ao contrário, ele veio salvar o pecador, veio dar sua vida para salvá-lo. O que Jesus mais deseja é a salvação de quem errou. Ele não veio para julgar, mas para salvar!
Aprendamos com o Senhor. Qualquer que seja a situação que estejamos, qualquer que seja o deslize de um irmão nosso, seja ele quem for, sejamos discípulos do Mestre e procuremos salvar, vestir de dignidade quem a perdeu. Isso não significa acobertar o pecado e deixar a vítima de lado, mas ter um coração como o de Deus, onde existe lugar para todos. Deus é vida, sejamos também vida! (Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para o V Domingo da Quaresma)


domingo, 6 de março de 2016

QUARTO DOMINGO DA QUARESMA EVANGELHO DO FILHO PRODIGO COENTADO

O Evangelho do Filho Pródigo nos fala, entre outras mensagens, das relações afetiva e serviçal. O filho mais novo tem para com o pai uma grande confiança, apesar de, no início, ter agido de modo egoísta. Quando se reconheceu pecador, quando percebeu  o erro cometido, não ficou com medo do pai, mas ao contrário, recordou a bondade, a prodigalidade de seu pai e resolveu voltar para casa. Ele sabia quem era seu pai e o respeitava bastante. Por isso voltou. No fundo ele havia experimentado o que era ser amado.
O mais velho, apesar de jamais ter se afastado do lado do pai, tinha uma relação de empregado com seu patrão. Ele está preso ao que fez e ao que deixou de fazer. Não conheceu o verbo amar, o verbo perdoar, o verbo querer, no sentido de querer bem. Sua relação não era de ternura, mas de trocas.
A grandeza de um homem não está em cumprir leis como um servo, mas em viver o amor, a grandeza do perdão, saber entender o outro e abraçá-lo.
Deus nos criou para isso, para sermos sua imagem e semelhança e não para termos uma relação empobrecedora. Não nos deixemos apequenar por nada. Nossa vocação é sermos sacramento do amor, do perdão, do acolhimento de Deus em meio aos homens.
A segunda leitura complementa este pensamento quando diz: “Tudo agora é novo. E tudo vem de Deus, que, por Cristo nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação.”
A  sociedade julga as pessoas pela aparência, pela cultura, pelas posses. No ambiente de Igreja se julga as pessoas pelo engajamento, pela boa ou má conduta. Paulo diz que Deus não imputou ao mundo as suas faltas. Ao contrário, mais adiante acrescenta: “Aquele que não cometeu nenhum pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornemos justiça de Deus”.
Ora, estar em Cristo significa estar em relação íntima com Deus e com o outro, é ser nova criatura. O cristão é nova criatura porque pelo batismo renasceu pelo Espírito, e isso provoca atitudes novas.
O filho mais novo, aparentemente grande pecador, mostrou ser nova criatura porque baseou sua atitude de retornar à casa confiando exclusivamente na misericórdia do pai. Já o mais velho, cobrando do pai a justiça, por causa de seu trabalho, não entendeu a gratuidade do amor e permaneceu do lado de fora, na escuridão, sem provar a alegria da gratuidade.
Somente com uma atitude como a do caçula, confiando unicamente no amor e no perdão do pai, poderemos ressuscitar na Páscoa e ser novas criaturas! (Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos para o IV Domingo da Quaresma)