sexta-feira, 29 de julho de 2016

LITURGIA COMENTADA DE DOMINGO 31 DE JULHO 2016

Rico insensato – LITURGIA 31/07/2016
Todos nós desejamos segurança, felicidade...
Mas onde a podemos encontrar?

- Muitos a procuram nas COISAS, nos bens terrenos
e, para isso, se dedicam febrilmente
em empreendimentos grandiosos e lucrativos.
Às vezes basta a simples visita de um ladrão, um fracasso nos negócios,
o desemprego, uma doença... e lá se vai o que acumularam...

- Outros buscam segurança e felicidade nas PESSOAS,
e quantas vezes acabam depois profundamente decepcionados...
Percebem que, o que este mundo oferece,
não é suficiente para estancar a sede de felicidade.
Só Deus pode nos tornar plenamente felizes...

As Leituras bíblicas aprofundam essa Verdade: 
Não devemos colocar a nossa segurança em coisas passageiras;
Pelo contrário, descobrir e a amar outros bens,
que dão verdadeiro sentido à nossa existência
e nos garantem a vida em plenitude

A 1a Leitura lembra a situação insuportável do povo de Deus
pela ganância dos poderosos de então.
Isso levou o autor sagrado a afirmar:
"Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". (Ecle 1,2; 2,21-23)

* Essa afirmação é atribuída a Salomão que, apesar de ser um rei
sumamente sábio, rico e poderoso, lembrava que as coisas terrenas
são passageiras, uma "bolha" de sabão e convidava ao desapego delas.

Na 2a Leitura, Paulo afirma que ser batizado é identificar-se com Cristo.
Portanto renunciar ao egoísmo, ambição, injustiça, orgulho, morte...
e escolher uma vida de doação, de entrega, de serviço, de amor...
Esse comportamento novo inclui uma maneira diferente de encarar a riqueza.  
"Se ressuscitastes com Cristo, aspirai às coisas do alto e não às da terra."
 (Cl 3, 1-5.9-11)

No Evangelho, Cristo denuncia a cobiça e
a preocupação exagerada pelos bens terrenos... (Lc 12,13-21)

- Um desconhecido pede a Jesus para resolver um problema de herança.
- Jesus se recusa, porque é difícil fazer justiça quando existe cobiça, ganância...
  E adverte: "Tomai cuidado contra todo tipo de GANÂNCIA...
   a vida de um homem não consiste na abundância de bens..."

- Para ilustrar essa verdade, conta a Parábola do RICO INSENSATO,
  que construiu grandes celeiros para armazenar a colheita abundante,
  pensando assim ter segurança para viver tranqüilamente.
  Pura ilusão: Naquela mesma noite veio a morrer...
  e se apresentou de mãos vazias diante de Deus...

- E Jesus conclui: "Assim acontece com quem
  guarda tesouros para si e não é rico diante de Deus."

* O pecado foi "acumular apenas para si".
Não agradeceu a Deus, nem partilhou com os irmãos.

- É uma catequese de Jesus sobre os bens materiais.
O dinheiro não é a fonte da verdadeira vida.
A cobiça dos bens (o desejo insaciável de ter) não conduz à vida plena,
não responde às aspirações mais profundas do homem.

A ganância pelos bens terrenos é a causa de muitos males...
- Quantas brigas e divisões em família... na divisão da herança!   
- Quantas lutas... para vencer o concorrente... e ter mais!
- Quantas fraudes, injustiças e corrupção... no desejo insaciável de bens!
- Quantas discriminações: porque as pessoas valem pelo que têm!

Pura ilusão: A fonte da vida está só em Deus... 
E a morte nos convence dessa dura realidade...

Esta parábola não se destina apenas àqueles que têm muitos bens;
mas destina-se a todos aqueles que (tendo muito ou pouco)
vivem obcecados com os bens, orientam a sua vida no sentido do "ter"
e fazem dos bens materiais os deuses,
que condicionam a sua vida e o seu agir.

+ A Palavra de Deus nos questiona.
O ensinamento de Jesus toca em cheio os cristãos encantados
com o capitalismo neoliberal e sua apologia do lucro e do acúmulo de bens.
Ficam anestesiados diante das necessidades dos irmãos.
Cristãos vivendo na riqueza, enquanto muitos irmãos na fé vivem na indigência,
sem experimentarem a solidariedade dos seus irmãos e irmãs na fé abastados.

Hoje em dia é muito comum pôr tudo no seguro...
Há seguro de vida para carros, roubos, incêndios, acidentes pessoais...
A nossa vida, que continua na eternidade, também deve ser assegurada.
Mas a vida eterna não pode ser assegurada com as riquezas desse mundo...
e sim com os tesouros reconhecidos por Deus.
O dinheiro nos dá a falsa sensação de segurança.

O único fundamento seguro de nossa existência é Deus...
E, nele, o próprio dinheiro adquire outro sentido:
Não será mais instrumento de SEPARAÇÃO entre os homens,
mas sim de COMUNHÃO, um sinal de amor...

Onde estamos depositando a nossa segurança e construindo a nossa felicidade?
Não nos esqueçamos: nosso coração foi feito por Deus,

e apenas em Deus encontrará a verdadeira e plena felicidade... (BN AGUAS)

sexta-feira, 22 de julho de 2016

LITURGIA DOMINICAL 24 JULHO 2016


"Pai Nosso..."

A Liturgia nos convida a refletir sobre um dos elementos essenciais da vida cristã e do seguimento de Cristo: a ORAÇÃO.
Mas o que é Oração? Como fazê-la?

As leituras nos dão dois exemplos concretos: Abraão e Jesus.

Na 1a Leitura, ABRAÃO reza, intercedendo por Sodoma e Gomorra. (Gn 18,20-32)

É a primeira vez na Bíblia que um homem inicia uma conversa com Deus.
Sua oração é um DIÁLOGO com Deus, humilde, reverente, respeitoso,
mas também cheio de confiança, de ousadia e de esperança.
Abraão conversa com Deus como dois amigos,
apresentando a Ele as suas inquietações, dúvidas, anseios.

O Salmista invocou o Senhor e foi atendido. (Sl 138)

Na 2ª Leitura, vemos que a oração cristã tem sentido se brotar da consciência
de termos sido resgatados por Cristo e a ele pertencermos. (Cl 2,12-14)

No Evangelho, JESUS reza e ensina a rezar, com confiança de filhos. (Lc 11,1-13)

Lucas destaca sempre a vida de oração de Jesus. O texto não quer ensinar
uma fórmula a ser memorizada e mecanicamente repetida
mas propor o espírito e o conteúdo fundamental de toda oração cristã.
É diálogo de filho com o Pai.  (em Mateus 7 pedidos, em Lucas apenas 5)

1. A Introdução apresenta o contexto em que Jesus ensinou o Pai Nosso.
   - Jesus estava rezando...
   - Os Apóstolos, impressionados, pedem: "Ensina-nos a rezar..."
   - Jesus responde: "Quando rezardes, dizei: PAI NOSSO..."

2. A Oração:

 - "Pai nosso..."
     - Que imagem temos de Deus?
       De um patrão exigente, um juiz severo, do qual devemos ter medo?
     = Deus é PAI... e é Nosso (não apenas meu)...
 - "Santificado seja o vosso Nome..."
      Que o Pai seja reconhecido por todos... Quando?
      Quando é ovacionado com salva de palmas? 
      ou quando a Salvação alcança o coração de todos os homens?
  - "Venha a nós o vosso Reino.."
     - Reino de Justiça, de Amor e Paz, de Liberdade, de Fraternidade...
 - "Dai-nos hoje o pão necessário ao nosso sustento..."
     - Todos precisamos do pão... e as coisas necessárias para uma vida digna.
        Isso não dispensa o nosso esforço e o nosso trabalho.
     - "Nosso" = "de todos..."
 - "Perdoai-nos os nossos pecados, pois também nós perdoamos..."
     - Não é possível rezar o Pai Nosso, tendo ódio no coração...
       Muitas vezes, o amor e a união só são possíveis pelo caminho do perdão...

 - "Não nos deixeis cair em tentação...":  
     - Sobretudo o abandono da fé... dos projetos de Deus...
       para abraçar o espírito do mundo... as tentações do ter, do poder, do prestígio...

3. Duas Parábolas completam o quadro:
    - A 1ª salienta a eficácia da Oração perseverante:
      O "Amigo inoportuno" é atendido: "Pedi e recebereis..."

   - A 2ª convida à Confiança em Deus: lembra o amor de pai para os filhos...
     "Se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos,
      quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem..."

+ Não basta rezar... devemos rezar como convém...
   A Oração deve unificar a vida de um homem com Deus...
   deve impregnar a vida de cada dia... não é uma "gaveta" isolada.  
   - Que dizer de fórmulas "milagrosas", das "orações de poder?"
   - Das orações comerciais: "dou, se me deres?"
   - Dos decepcionados, quando não são atendidos?

+ O Valor da Oração não está condicionado:
   - Ao comprimento das velas... - Ao número de vezes que repetimos...
   - Ao comprimento da fita...     - Ao número de nós no barbante...
   - À fórmula milagrosa - Ao lugar em que fazemos... - Ao Santo que invocamos.
   = Mas sim ao espírito de FÉ e AMOR com que a fazemos...

REZAR: É um DIÁLOGO familiar com Deus,
que brota de um ato de fé e de um ato de amor e
que nos leva a entrar no Plano de Deus: "Seja feita a vossa vontade..."

REZAR: Não é apenas orar com os lábios,
mas também com a inteligência, com o coração e com toda a nossa vida...

REZAR requer um clima de amizade com Deus, como Abraão,
ter consciência de que temos um PAI, e não somos órfãos na vida.

* Temos tempo para rezar? Quando é que nos lembramos de rezar?
   Só nos momentos de apuro, como um pronto-socorro?

+ Os apóstolos sentem a necessidade de orar e de aprender a orar
porque viram como Jesus rezava...

E Você, Pai (ou mãe) reza profundamente com o seu Deus,
a ponto provocar em seu filho o pedido: "Pai (Mãe), ensina-me a rezar?"

Estamos aqui reunidos, porque acreditamos na Oração...
- Ela está marcando de fato a nossa vida,
de modo a impressionar também os que aqui não vem,
percebendo em nós a alegria de alguém se encontrou com Deus na oração?

Se ainda não o conseguimos... façamos nossa, a oração dos apóstolos:

"Senhor, ensina-nos a rezar..." (B N AGUAS)

sábado, 9 de julho de 2016

Liturgia de domingo dia 10 de Julho 2016 comentada


 Liturgia do 16 Domingo do Tempo Comum – dia 10 de Julho 2016
Todos nós desejamos com segurança a Vida eterna.
Já nos perguntamos alguma vez:
Mas qual é o CAMINHO para conquistá-la.
- O que fazemos para alcançar a vida eterna?

As leituras bíblicas respondem: no amor a Deus e aos irmãos.

Na 1a leitura, MOISÉS convida o Povo a aderir aos MANDAMENTOS:
"Ouve a voz do Senhor, teu Deus, e observa todos os seus Mandamentos".
E acrescenta: "Esta lei não está acima de tuas forças... pelo contrário,
ela está bem perto de ti, está em tua boca e em teu CORAÇÃO" (Dt 30,10-14)

Os Mandamentos de Deus não são uma coleção de prescrições impostas,
que tolhem a nossa liberdade e prejudicam a nossa realização pessoal.
Pelo contrário, correspondem aos anseios profundos da pessoa humana,
são o caminho seguro, que nos conduz à Felicidade eterna desejada.
E Deus inscreveu esses preceitos em nosso próprio coração.

A 2ª Leitura   É um hino cristológico, em que Paulo apresenta Cristo
como "imagem do Deus invisível" e o "primogênito de toda a criatura".
 Cristo foi o primeiro e autêntico "samaritano" da humanidade. (Cl 1,15-20)

No Evangelho, CRISTO aponta o caminho da vida eterna,
respondendo a duas perguntas de um Mestre da Lei: (Lc 10,25-37)

1. "Que devo fazer para alcançar a vida eterna"?
- Jesus o questiona: "O que diz a Lei?"
- Ele resume os 613 preceitos em dois:
  o Amor a Deus e o Amor ao Próximo... (Dt 6,5; Lev 19,18)
- Jesus concorda: "Respondeste bem... FAZE isto e viverás".
- E ele insiste com a segunda pergunta:

2. "E quem é o meu próximo?"
Na época de Jesus, "próximo" era o membro do Povo de Deus;
excluíam os inimigos, os pecadores e os não praticantes...
Jesus responde não com uma definição, mas com um exemplo prático...
com a maravilhosa Parábola do BOM SAMARITANO...

- Um homem é assaltado por ladrões...
  que o deixam jogado meio morto à margem da estrada.
- Ali passa um SACERDOTE, que sabe tudo sobre a Lei:
  vê o homem jogado, mas vai adiante.
- Passa também um LEVITA, que trabalha diariamente no templo,
  mas não sabe nada de Deus: não tem misericórdia para aquele homem.
  Vê o homem e vai em frente...
- Passa também um "SAMARITANO" que não sabia tão bem a Lei de Moisés.
  Esse "pagão" sente "compaixão" (sentimento próprio de Deus).
  Supera a hostilidade entre judeus e samaritanos,
  esquece seus negócios, seus compromissos, seu cansaço, o medo...
   "Aproxima-se dele, derrama óleo e vinho nas feridas.
    Depois o coloca em seu animal e completa os cuidados na pensão".
- E Jesus concluiu: "Vai e faze tu o mesmo".

A Parábola nos diz que...

- A "Vida eterna" é encontrada no Amor a Deus,
  concretizado no Amor ao Próximo.
  Para ter a vida devemos fazer de quem está perto de nós o nosso próximo.
  PRÓXIMO é todo irmão, que necessita de nossa ajuda e de nosso amor.

- Mais importante do que saber quem é o "próximo",
  é tornar-se próximo de quem precisa...
  PRÓXIMO é quem age com MISERICÓRDIA e COMPAIXÃO...
  Cristo foi o verdadeiro Bom Samaritano, que antes de ensinar a Parábola
  a fez realidade em sua vida acolhendo a todos.
  E ele nos convida: "Vai e faze tu o mesmo..."
  Esse gesto é um aspecto fundamental da missão da Igreja.

* A Parábola propõe Três PASSOS para realizar o amor misericordioso:
   Ver, Ter compaixão e Agir...

+ Quem é o nosso Próximo, HOJE?
   Só os amigos, os familiares? Os que nos ajudam? Gente do nosso grupo?

* Ainda hoje, há muitas pessoas à beira das estradas,
   vítimas da violência e opressão... precisando de nossa ajuda...

- Qual é a nossa atitude para com elas?

* A do Sacerdote e do Levita, que olharam o 'coitado' e passaram à frente,
   porque não tinham tempo, deviam cuidar dos seus trabalhos?

* Ou a figura simpática do Bom Samaritano,
   que mesmo estando de viagem, soube parar... e oferecer a esse coitado
   aquilo que estava ao seu alcance, para  suavizar a sua situação?  

- E nós, que aqui estamos reunidos nessa celebração
  para fortalecer a nossa fé e o nosso amor,
  sabemos quem é o nosso próximo? Qual é o seu nome?

- Reconhecemos de fato a presença de Cristo nas pessoas
  que encontramos ao longo dos caminhos do mundo?
  Ou preferimos não perder tempo e seguir o nosso caminho,
  deixando o nosso próximo na sarjeta do abandono?

Enquanto Cristo aguarda uma resposta,
professemos publicamente a nossa fé no Cristo
que ainda hoje muitas vezes encontramos
abandonado e espoliado, ao longo de nosso caminho...

Fonte: B N AGUAS