sábado, 27 de fevereiro de 2016

LITURGIA DE DOMINGO 28 DE FEVEREIRO 2016

Terceiro Domingo da Quaresma Ano C
A Liturgia desse terceiro domingo de Quaresma
é um forte APELO À CONVERSÃO
Esta se concretiza quando apresentamos
frutos de amor, paz e justiça.
Conversão é um longo processo de renovação, em que devemos nos desfazer
de uma porção de coisas, para tornar possível em nós a "libertação".
Devemos tirar as cômodas sandálias que calçamos,
para pisar com mais segurança os caminhos sagrados do Senhor...

A 1a Leitura narra a Conversão de MOISÉS. (Ex 3,1-8.13-15)
- Inicialmente, Deus se manifesta na sarça ardente e manda tirar as sandálias.
Deve pisar o pó de onde veio. Sua grandeza vem de Deus e não de si mesmo.
- Depois, confia a Moisés a missão de libertar o seu povo.
Assim começa a longa marcha dos hebreus através do deserto.                                            O Deserto foi o tempo e o local de uma longa Quaresma,
onde Deus purificou o seu povo dos costumes pagãos e
o conduziu a uma religião mais pura e à posse da Terra Prometida...

    * O Êxodo do Povo de Deus é figura do caminho de conversão,
      que o cristão é chamado a realizar, de modo especial na Quaresma. 
      O Deus libertador exige de nós uma luta permanente contra tudo aquilo
      que nos escraviza e que impede a manifestação da vida plena.

   Na 2a Leitura, Paulo recorda os fatos extraordinários
   realizados por Deus no deserto em favor do seu povo...  
   e faz uma advertência contra a falsa segurança religiosa deles:
" Todos comeram o mesmo pão espiritual (o maná)...                                            beberam todos a mesma bebida espiritual (água do rochedo)...
Mas nem todos assumiram a Aliança. Por isso foram sepultados no deserto,
não entraram na Terra prometida".  (1Cor 10, 1-6.1-12)

O Apóstolo alerta os cristãos para não cair no mesmo perigo.
A verdadeira vivência cristã não é apenas
a participação regular nos sacramentos,   
mas uma vida de comunhão com Deus,
que se transforma em gestos de amor e partilha com os irmãos.

O Evangelho é um forte apelo à CONVERSÃO. (Lc 13,1-9)

O Texto fala de dois acontecimentos trágicos daqueles dias:
a matança de Pilatos... e a queda da torre de Siloé: 18 mortos.
- Jesus não concorda que a desgraça é sinal do castigo de Deus,
   pelo contrário, é um apelo de conversão aos sobreviventes:
   "Vocês pensam que eles eram mais pecadores do que vocês?"
"Se vocês não se converterem, morrerão todos do mesmo modo..."
Rejeitar a ação salvadora de Deus, oferecida em Jesus é pior que um desastre.

+ E com a parábola da FIGUEIRA ESTÉRIL, Jesus ilustra
a resistência de Israel à conversão e a bondade e a paciência de Deus,
disposto a esperar mas não indefinidamente:
  "Senhor, deixa ainda esse ano.  
  Vou cavar em volta dela e colocar adubo...
  Talvez depois disso, venha a dar frutos..."

Esse Servo é JESUS, que pede uma nova chance para seu povo, 
sabendo que o Pai é bondoso e cheio de amor.

* Conversão não é apenas uma penitência externa,
   ou um simples arrependimento dos pecados,
   é um convite à mudança de vida, de mentalidade, de atitudes,
   de forma que Deus e os seus valores passem a estar em primeiro lugar.
   É voltar-se para Deus de todo o coração

+ Quem é essa figueira?

Somos todos nós, a nossa família, a Igreja, a sociedade. 
Os frutos são as boas ações, que devemos realizar.

- Há cristãos que foram educados na fé do evangelho.
  Receberam dos pais, da escola e da comunidade uma boa educação na fé.
  E depois... nenhum fruto...

- Há famílias que têm tudo para ser fermento no meio de outras famílias,
  para atuar na Igreja e na sociedade, pois receberam muitos talentos.
  Mas onde estão os frutos?

- Há grupos de cristãos, movimentos e comunidades,
  que há anos são privilegiados com encontros, celebrações, missas, cursos...  
  e nada de frutos...

- Há cristãos que até participam assiduamente na igreja,
  mas nunca se comprometem com pastorais, com grupos de reflexão
  e outros serviços da comunidade...

São figueiras estéreis que estão tomando o lugar de outras...

Resumindo: A Liturgia de hoje é:

- Um forte apelo à conversão, que se manifesta através de boas obras,
  que correspondem ao amor generoso do Pai. 

- Uma advertência: Deus é paciente e generoso em esperar,
  Mas a espera de Deus tem um limite...

à Será que não estamos já esgotando a paciência de Deus?
à Quais são as sandálias que devemos tirar de nossos pés,
 para ser possível esse caminho sagrado da Conversão

 e assim produzir os frutos esperados por Deus? (B N AGUAS) 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

SEGUNDO DOMINGO QUARESMA COMENTARIOS 2016

No monte Tabor

Estamos no 2º domingo da Quaresma.
A Liturgia nos convida a subir o Monte Tabor
para fortalecer a nossa fé em nossa caminhada quaresmal.

A Quaresma é o caminho de nossa transfiguração em Cristo.
O Tabor é uma parada que Jesus faz em sua caminhada para o Calvário.
É o lugar onde Deus reanima seus amigos e lhes dá as forças necessárias
para chegar também eles à cruz.

As leituras apresentam pistas para a nossa "TRANSFIGURAÇÃO".

A 1ª Leitura nos fala da FÉ DE ABRAÃO. (Gn 15,5-12.17-18)

Abraão já está velho, sem filhos, sem a terra sonhada e
sua vida parece condenada ao fracasso.
Deus lhe garante a Posse de uma Terra e uma descendência numerosa...
Ele confia totalmente em Deus e se põe a serviço dos desígnios do Senhor.

* Abraão é um modelo de fé: confia totalmente em Deus,
aceita os planos de Deus e se põe a serviço deles.

Na 2a leitura, PAULO mostra sua FÉ na transfiguração,
apesar do que via e condenava na comunidade:
  "Ele transformará o nosso corpo humilhado e
   o tornará semelhante ao seu corpo glorificado". (Fl 3,17-4,1)

* A nossa transfiguração e a transformação do mundo atual
exigem um processo contínuo de conversão.

O Evangelho apresenta a FÉ DOS APÓSTOLOS,
fortalecida na MONTANHA pela Transfiguração de Jesus. (Lc 9,28b-36)

Jesus está a caminho de Jerusalém com os Apóstolos.
O 1o anúncio da PAIXÃO provoca neles uma crise profunda...
Desmoronam as esperanças messiânicas, impregnadas de triunfalismo...
Os Apóstolos, decepcionados, entram numa profunda crise.

Para reanimar a fé abalada deles, Jesus...
- recorre à oração, na MONTANHA, lugar sagrado por excelência,
  onde Deus se revela ao homem e lhe apresenta seus projetos.
- se transfigura: Todo encontro autêntico com Deus deixa marcas visíveis
  no rosto das pessoas, como em Moisés ao descer do Sinai;
- Uma Voz confirma: "Este é o meu filho amado, escutai-o".

  Ao descer do monte, uma nova energia inundaria a sua pessoa e o coração
dos apóstolos, para continuar a marcha para Jerusalém, onde seria crucificado...

+ PORMENORES significativos do evangelho de Lucas:
- O Motivo da ida à Montanha: "Ele vai lá para orar..."
- O rosto deixa transparecer a presença de Deus durante a Oração.
- Aparecem Moisés e Elias que falam sobre o que encontrará em Jerusalém.
  Representam a Lei e os Profetas: o Antigo Testamento...
- Os três discípulos dormem, quando Jesus fala de doação da própria vida...
- As três Tendas: Pedro deseja permanecer contemplando o transfigurado.
   Jesus convida a descer o monte e prosseguir a caminhada...
   Não podemos nos acomodar em nossa tenda;
   precisamos SAIR, agir e enfrentar os conflitos da caminhada.
- Da nuvem sai uma VOZ: "Este é meu Filho, ESCUTAI-O".
- No fim, "Jesus ficou sozinho": Moisés e Elias desaparecem...
   O Antigo Testamento já cumpriu sua tarefa.

OS TRÊS DISCÍPULOS:
- partilham a experiência da transfiguração, mas recusam-se a aceitar
  que o triunfo de Cristo passe pelo sofrimento e pela cruz;
- testemunham a transfiguração, mas parecem não ter muita vontade
  de descer à terra e enfrentar o mundo e os problemas dos homens;
- representam os que vivem de olhos postos no céu, mas alheados
  da realidade do mundo, sem vontade de intervir para o renovar e transformar.

Agentes da transfiguração:
- Nós, como os apóstolos, deparamos com a cruz...
  E a primeira reação costuma ser a mesma: fugir dela.
  Aceitamos com alegria o Tabor... mas temos dificuldade em aceitar o Calvário.
- Nesses momentos, para reanimar a nossa fé,
  Deus continua "inventando" também para nós um Tabor,
  dando-nos uma pequena amostra de sua beleza e de sua glória.
- Contudo é bom lembrar que, o Tabor foi apenas uma parada
  que Jesus fez em seu caminho para o Calvário.
  Também para nós, o Tabor continua sendo uma situação transitória,
  para que sejamos testemunhas vivas do que nos espera...

+ O Nosso Tabor...
A transfiguração aconteceu oito dias após o anúncio da Paixão...
Para os cristãos, o 8º Dia é o "Dia do Senhor",
no qual a comunidade se reúne para escutar a Palavra e para partir o Pão.

Todos os domingos, devemos SUBIR a Montanha para CONTEMPLAR
o Cristo transfigurado (ressuscitado) e ESCUTAR a sua voz.
E depois, transfigurados, DESCER a Montanha (sair da igreja)
para prosseguir a nossa caminhada como agentes da transfiguração,
dispostos a enfrentar o mundo e os seus problemas...

* O que fazemos no DOMINGO?
SUBIMOS a Montanha... para contemplar esse Rosto... para escutar essa Voz?
e depois DESCEMOS reanimados para prosseguir a nossa caminhada?
A nossa fé na transfiguração nos deve levar a transfigurar
todo o nosso ser e transformar o mundo que nos rodeia.
A humanidade se transforma e renasce

quando escuta a Palavra do Pai em seu Filho e a põe em prática. (B N AGUAS)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Deve-se cobrir as imagens na quaresma?

O costume de cobrir as cruzes e imagens na Quaresma


 “A beleza e a cor das imagens estimulam minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo do campo estimula meu coração a dar glória a Deus”[1].
Quanto agrada ao fiel, entrando numa igreja, encontrar uma artística representação de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou de sua santa Mãe, ou ainda de algum venerável santo. Essas imagens, nos ensina o Catecismo (nº 1160), transcrevem em suas formas e cores a mensagem evangélica, assim como a Sagrada Escritura a transmite pela palavra.
Ao longo do ano litúrgico a Igreja estimula os fiéis a venerar com especial amor a Virgem Maria, Mãe de Deus e a homenagear aos mártires e demais santos. Os crucifixos, as imagens de Nossa Senhora e dos santos são levados em procissão ou ainda revestidos de modo especial por ocasião das festas litúrgicas.
A partir das vésperas do quinto Domingo da Quaresma, a Igreja recomenda que as cruzes e imagens sacras sejam cobertas com um tecido roxo.  Ocultando a “beleza e a cor das imagens” a Esposa de Cristo incentiva os fiéis a meditar no sofrimento sofrido pelo Redentor da humanidade. A cor roxa, que também é usada nos paramentos ao longo do período quaresmal, lembra a dor e a penitência.
Uma rubrica no Missal Romano, colocada após a “Oração depois da comunhão” do sábado da quarta Semana da Quaresma, indica quando e como se deve proceder no tocante a cobrir as imagens: “Pode-se conservar o costume de cobrir as cruzes e imagens da igreja, a juízo das Conferências Episcopais. As cruzes permanecerão veladas até o fim da celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-feira Santa. As imagens, até o início da Vigília Pascal”[2].
A Cruz velada faz menção à humilhação que sofreu o Cordeiro sem mancha ao ter que se ocultar para não ser morto pelos judeus que o queriam apedrejar. (Cf. Jo 10, 31-40) E as imagens da Virgem cobertas simbolizam o sofrimento de Nossa Senhora que teve seu coração traspassado por uma espada de dor (Cf. Lc 2,35).
[1] São João Damasceno, Imag. 1,27: PG 94, 1268B. Apud Catecismo da Igreja Católica, p. 327.
[2] Missal Romano. 2ªed. São Paulo: Paulus, 1992. p. 211


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

COMENTARIO DA LITURGIA 5º. DOMINGO DO T. COMUM 2016

LITURGIA 5º. DOMINGO DO T. COMUM 2016

Ao longo da história, Deus sempre chama pessoas
e as envia para realizar os seus planos.
As Leituras bíblicas de hoje nos falam
de TRÊS CHAMADOS:

Na 1ª Leitura, temos o Chamado de ISAÍAS.  (Is 6,1-8)

- Deus se revelou a ele, quando estava em oração no templo.
- Inicialmente, ele se sente pequeno e indigno.
  Prefere continuar no seu cantinho cômodo, sem se comprometer.
- Um anjo lhe toca os lábios com uma brasa, purificando-o para a missão.
- Deus então pergunta: "Quem vou enviar?"
  Isaías, sensível ao apelo de Deus, aceita: "Eis-me aqui, envia-me".

* Vemos aqui os PASSOS DA VOCAÇÃO:
- A iniciativa é sempre de Deus
- A primeira reação é sempre a mesma: "não sou capaz". "Não sou digno".
- Mas quando nos colocamos numa atitude de disponibilidade,
  Deus nos purifica e fortalece, e acabamos dando conta do recado.

Na 2ª Leitura, PAULO conta o seu Chamado. (1 Cor 15,1-11)

Ele se considera o "último" dos apóstolos... como um "abortivo".
Mas no encontro com Cristo a caminho de Damasco,
responde: "Senhor, que queres que eu faça?"

No Evangelho temos o Chamado dos Primeiros APÓSTOLOS. (Lc 5,1-11)

 - Jesus na Barca de Pedro fala ao povo... e depois os convida a pescar...
 - Pedro confia na sua palavra e acontece a pesca milagrosa...
 - Pedro também se sente indigno...
 - Jesus convida: "Doravante serás pescador de gente."
 - E eles aceitam o convite: "Largam tudo e o seguem..."

O texto apresenta uma Catequese sobre: O QUE É SER CRISTÃO.

- É ESTAR com Jesus "no mesmo barco".
  É desse barco (a comunidade cristã), que Jesus fala ao mundo.

- É ESCUTAR a proposta de Jesus, fazer o que ele diz,
  mesmo quando suas propostas podem parecer ilógicas e incoerentes.
  "Porque tu o dizes, lançarei as redes".

- É RECONHECER Jesus como "o SENHOR": É o que Pedro faz,
  ao perceber que a proposta de Jesus gera vida e fecundidade para todos.

- É ACEITAR a missão que Jesus propõe:
  Ser pescador de gente: Significa continuar a obra libertadora de Jesus.

- É DEIXAR tudo e seguir Jesus.
  A generosidade e o dom total devem ser sinais distintivos dos que o seguem.

O texto é rico de outros detalhes:

- Jesus proclama a Palavra da Barca de Pedro:
   Essa barca representa a comunidade cristã. (Jesus foi expulso da sinagoga)
   Embora ocupada por pecadores, é dessa barca que ecoou a voz de Deus.
- O Anúncio da Palavra acontece num dia de semana:
   no ambiente de trabalho, sem ser no sábado...   
   A Palavra de Deus deve ser anunciada sempre e em todos os lugares...
- "Avança para águas mais profundas"...
  É o convite para os novos pescadores superarem a rotina da ação pastoral,
  sempre agarrada às margens que não dão mais peixe!
  Precisa buscar sempre um novo jeito de "pescar".
- É Pedro quem conduz a barca para o lugar indicado...
   e a ele Jesus diz: "Serás pescador de homens..."
   A ele é confiado um ministério especial na Igreja,
   que navega nos mares da história...
- A Pesca milagrosa não é resultado da habilidade de Pedro,
   mas da força da Palavra de Deus.
   Por que muito trabalho não produz fruto?  
   Em nome de quem estamos pescando?
- A Missão é ser pescador de gente:
   Jesus escolhe pessoas simples para uma missão tão importante...
   Deus não olha tanto as qualidades humanas... mas a generosidade... 

 - Essa Missão é confiada a toda a Comunidade, apesar de suas limitações.
    Deus só espera a disponibilidade em acolher o seu convite e deixar tudo...

* Todos somos chamados por Deus a sermos profetas como Isaías,
   e pescadores de homens como Pedro.
- O chamado pode chegar até nós através do padre... da comunidade...
  Vocês não imaginam como é difícil essa missão de convidar!...
   "Quem poderia, não aceita... e quem aceitaria, a comunidade não aprova!..."

Qual é a nossa Resposta?  Acolhemos com a generosidade...
- de Isaías: "Eis-me aqui... envia-me..."
- de Paulo: "Senhor, que queres que eu faça?"
- dos primeiros Apóstolos: "Largaram tudo e o seguiram"

-  Às vezes, esquecendo que somos pecadores, podemos confiar demais em nós,
  ou então não confiar em nós e na ação de Deus em nós.
- Se confiarmos na força da Palavra de Deus e tivermos a coragem
  de deixar tudo, a pesca milagrosa continuará acontecendo, ainda hoje...

  Cristo ainda hoje precisa de pescadores de gente.
  Ele pode contar com você?


Canto: Quem é que vai... quem é que vai... nessa Barca de Jesus...
                   à Eu vou, eu vou...